UOL Entretenimento

08/02/2010

A Ilha do Medo de Scorsese é uma loucura

 

    

Look back in anger: Leo na Ilha do Medo

 

No meio de toda a agitação pré-Oscars (e no auge da temporada-lixo que vai de janeiro a maio, onde os estúdios descarregam quase tudo que não conseguiram lançar no ano anterior) começam a aparecer os primeiros filmes interessantes de 2010. Quietamente, a Paramount passou a última semana exibindo Shutter Island/ Ilha do Medo em sessões especiais em LA e NY.  Agora, vendo o filme afinal, até entendo o por que da decisão de move-lo de 2009 para 2010: a sombra imensa de Avatar não daria espaço para muita coisa, ainda mais uma sombria homenagem ao cinema da paranoia dos anos 1950 como este inusitado filme de Scorsese.

Um pouco de pano de fundo: a  primeira encarnação de Shutter Island, uma adaptação do livro homônimo de Dennis Lehane sobre os mistérios de um hospital psiquiátrico em meados do século passado, deveria ter sido dirigida por David Fincher e estrelada por Brad Pitt e Mark Wahlberg. Quando os três foram cuidar de outros projetos, o roteiro (de Laeta Kalogridis, que também assina The Dive, o possível novo projeto de James Cameron) foi enviado a Martin Scorsese. A Paramount não esperava que ele dissesse sim – Marty parece interessado em obras mais amplas, quase épicas. Mas ele sentiu uma “identificação imediata” com o protagonista, Teddy Daniels, um agente federal investigando o misterioso desaparecimento de uma paciente no sombrio asilo/penitenciária do título. (Depois que vocês virem o filme ou lerem o livro certamente ficarão intrigados com essa empatia…)

Com seu atual muso Leonardo di Caprio no papel de Teddy (que seria de Brad Pitt ) e Mark Ruffalo no de Chuck, parceiro de Teddy ( que seria de Wahlberg), Scorsese passou quatro meses em 2008 filmando Shutter Island, a maior parte num hospital psiquiátrico abandonado em Medfield, Massachsetts.

O resultado é um filme sobre o qual quanto menos eu falar, melhor. O que posso dizer: como ele mesmo diz, o projeto  “começou como entretenimento e acabei transformando em outra coisa, como sempre.” O entretenimento seria o thriller em si, o famoso jogo de gato e rato que esperamos num policial - quem fez o que, e como, e por que. A “outra coisa” é um estudo sobre o clima emocional dos anos 1950, a era da paranóia, do medo institucionalizado, dos avanços da psiquiatria e da farmacologia psiquiátrica convergindo com as batalhas ocultas da guerra fria. Scorsese enquadra tudo isso no universo restrito de uma ilha ao largo de Boston, amplificando o sentimento de claustrofobia com um espetacular uso da montagem (Thelma Schoonmaker, de novo), fotografia (o grande Robert Richardson), direção de arte (outro gigante, Dante Ferreti ) e música ( Robbie Robertson fazendo a curadoria de uma série de peças de eruditos do século passado – Cage, Ligerti e sobretudo Penderecki, cuja "Passacaglia" é a inesquecível assinatura musical do filme.)

Um “labirinto da mente”, como Scorsese diz, esta Ilha resolve um dos grandes desafios do cinema, a visualização do processo da loucura, com uma estética que é um terço Shock Corridor, dois terços Hitchcock anos 1940-50 e, no final, puro Scorsese.

Shutter Island /Ilha do Medo estreia dia 18 aqui nos EUA e 5 de março no Brasil.

 

 

Por Ana Maria Bahiana às 19h18


02/02/2010

Nas indicações ao Oscar, a disputa entre duas visões

 

Anne Hathaway e o presidente Tom Sherak anunciam Melhor Filme contra um fundo azul-na'vi

Nenhuma surpresa, certo?  Muitíssimo parecido com as indicações para o Globo de Ouro, de novo – na verdade, é nesta fase que os dois prêmios mais se assemelham - fora aquela indicação de The Blindside para Melhor Filme. Ah, por favor, Academia! Tanta gente merecendo uma vaga naqueles 10!

A batalha entre Avatar e Guerra ao Terror continua, duas visões completamente diferentes dos recentes pesadelos norte-americanos. Sandra Bullock, que pode ser a primeira a ganhar uma Frambroesa de Ouro e um Oscar no mesmo ano, está lá, juntamente com Jeremy Renmer, sem o qual Guerra não seria a mesma coisa.

Fiquei feliz, é claro, com o que Distrito 9 emplacou – inclusive melhor filme!-, embora esperasse Sharlto Copley entre os indicados a Melhor Ator. Feliz também ao ver Up onde deve estar, junto com os melhores filmes (ter 10 para escolher ajuda…) e pela lembrança, muito inesperada, de um filme que infelizmente pouca gente viu, Il Divo, entre os indicados (por maquiagem).

Nine sumiu mesmo e A Single Man transformou-se em uma indicação solitária (mas merecida) para Colin Firth. Ponyo também não registrou, mas entre os longa de animação, a gratíssima surpresa do  irlandês The Secret of Kells.

As grandes perguntas, este ano, são: das nove que Avatar e Guerra ao Terror tem, quantas cada um vai converter em estatueta? E quem fica com o principal, melhor direção- melhor filme?

Agora é a batalha das lealdades, dos gostos, dos temperamentos, do quanto pesam o desempenho modesto de Guerra  nas bilheterias, versus os bilhões de Avatar. Como sempre, os Oscars definiram um momento psicológico, emocional, da cultura norte-americana. Resta ver qual das duas visões eles vão privilegiar.

Por Ana Maria Bahiana às 16h35


31/01/2010

Mais DGA: mulher ganha na TV também

 

Outras coisas importantes e interessantes que aconteceram nos prêmios da DGA:

 

  • Uma mulher também venceu o maior prêmio de TV, “série/drama/horário nobre”: Leslie, que venceu por “Guy Walks Into an Advertising Agency”, o sexto episódio da brilhante terceira temporada de Mad Men, é uma veterana de várias séries importantes da TV, de Twin Peaks- que lhe valeu uma indicação para o prêmio da DGA em 1990- a ER, Weeds, Heroes e The Mentalist. Ao contrários dos Globos, a DGA premia por episódios específicos, e não pela série.
  • Ainda na TV, Jason Winer venceu pelo piloto de Modern Family, Ross Katz por Taking Chance (que já havia levado o Globo), e Craig Borders pelo episódio 3 de Build it Bigger, da Discovery.
  • Os prêmios honorários  foram para os diretores Norman Jewison e Roger Goodman , conjunto de obra; os presidentes da Disney e da Warner, Robert Iger e Barry Meyer (por dar tanto emprego, deve ser….); para a stage manager Maria Jimenez Henley; e, na categoria produtor executivo (que aqui é o line producer),  com o prêmio Frank Capra, um amigo querido meu, quase parente: Cleve Landsberg. Depois de muitas, muitas séries (The District, Stargate Atlantis) e filmes (The Crow, The Crow2, Weekend at Bernie’s, Bruce Almighty) Cleve é o produtor de FlashForward, successo total na primeira temporada, e atualmente filmando a segunda. O que podemos esperar, perguntei ao radiante Cleve: “Muito mais, embora tudo esteja sendo rodado aqui mesmo em Los Angeles. Já tive que recriar a Europa e o norte da África aqui por perto.”  Sobre os mistérios da série, Cleve não sabe o que dizer. “A série não tem nem “bíblia” ( o conjunto de informações sobre o universo e os personagens que guia os roteiristas). Está tudo na cabeça dos criadores. As vezes até eu tenho que adivinhar.”

Por Ana Maria Bahiana às 20h31


Vitória histórica de Kathryn Bigelow na DGA polariza disputa pelo Oscar

 

 

Cuidado com ela: Bigelow, vitoriosa na DGA

 

Agora as coisas ficaram realmente interessantes: Kathryn Bigelow ficou com o prêmio da Directors Guild por Guerra ao Terror/The Hurt Locker. A alegria é histórica: Bigelow é a primeira mulher vencedora nos 62 anos do prêmio. E o perigo é real e imediato para qualquer um de seus competidores, principalmente James Cameron: nestes 62 anos apenas seis vezes a escolha da DGA não foi repetida nos Oscars. As mais recentes: em 2000 Ang Lee foi o escolhido da DGA por O Tigre e o Dragão, mas Steve Soderbergh levou o Oscar de melhor diretor por Traffic; e em 2002 Rob Marshall venceu na DGA com Chicago mas Roman Polanski foi o melhor diretor para a Academia, com O Pianista.

Consenso: especialmente com esta vitória, Bigelow é a pole para o Oscar de Melhor Direção. E melhor filme? A escrita reza que quem ganha melhor diretor leva melhor filme. Mas é uma regra cheia de exceções: em 2000  Soderbergh foi o melhor diretor mas Gladiador, melhor filme; em 2002 ironicamente o premio DGA de Marshall transformou Chicago no mellhor filme para a Academia; e em 2005 Ang Lee ganhou o Oscar de melhor diretor com Brokeback Mountain, mas Crash foi o Oscar de melhor filme. Ou seja, essas coisas acontecem. Lembrem-se de que na fase de indicações apenas os departamentos votam em cada categoria, e na fase de premiação todos os acadêmicos votam em todas as categorias – ou seja, o peso de cada departamento é diluído no todo.

Palpite de primeira hora: os dois gladiadores na arena do Oscar este ano são Hurt Locker e Avatar, o que por si só já dá muito assunto para conversa, por todos os motivos. Possibilidade: Avatar fica com todos os técnicos, Hurt Locker com direção, possivelmente roteiro original. Filme? Aí a coisa é saborosissima. Veremos…

Agora... como é mesmo aquela história de Hurt Locker ter saído no Brasil só em DVD?

 

Por Ana Maria Bahiana às 06h23


29/01/2010

Mike Tyson, muso dos Globos de Ouro?

Quando eu disse que as celebridades faziam fila para tirar foto com Mike Tyson na festa da InStyle, pós-Globo de Ouro, eu não estava brincando não. Acabei de receber este cartão de Jason Reitman...   

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acompanhado por esta foto:

 

Por Ana Maria Bahiana às 22h52


Miramax, o dia depois de amanhã

 

Miramax safra 2010: Jennifer Aniston no set de The Baster

 

Num anúncio oficial hoje a Disney confirma que os escritórios da Miramax foram fechados e 50 funcionário demitidos – mas, como os mortos vivos de nossos filmes favoritos de terror, “ a marca continua”. Em outras palavras, o estúdio continuará a lançar através da marca os filmes  que considerar “de arte”, ao ritmo de três títulos por ano, ritmo bem mais lento que o de seus companheiros e concorrentes como Universal Focus e Fox Searchlight. Os primeiros da nova etapa serão a comédia dramática The Baster, com Jennifer Aniston, Juliette Lewis, Jason Bateman e Patrick Wilson, e o drama de época The Debt, uma refeitura do israelense HaHov, com Helen Mirren e Sam “Avatar” Worthington, dirigido por John Madden; ambos saem no fim do ano, obviamente de olho no território que, dez anos atrás, era dominado pela Miramax- a temporada de prêmios.

Ou seja- para todos os propósitos, a Miramax morreu.  Agora ela é uma marca dentro da enorme engenharia de entretenimento de massa da Disney, sem autonomia criativa, orçamentária ou de aquisição. Melhor, pelo menos, para a concorrência.

 

Por Ana Maria Bahiana às 18h10


28/01/2010

Adeus, Miramax!

In memoriam: Pulp Fiction, Clerks, Sex Lies & Videotape, The Crying Game

 

Duas perdas nesta quinta feira: J D Salinger, o escritor norte-americano que alimentou várias gerações de rebeldes (e me tornou ainda mais apaixonada pela palavra escrita) e a Miramax. Muita gente vai falar de Salinger, me ocupo aqui da Miramax.

A empresa fora criada 31 anos atrás pelos irmãos Harvey e Bob Weinstein como uma etapa acima de sua aventura em exibição de filmes “órfãos” (sem distribuidora) no circuito universitário . Era propriedade da Disney desde 1993, um dos primeiros “selos de arte” de um grande estúdio.  Na verdade, unindo o faro dos Weinstein ao poderio de marketing da Disney, a Miramax  (o nome é uma mistura de Mira e Max, pais dos Weinsteins) praticamente inventou o independente viável, que chegava ao grande circuito, ganhava prêmios e dava trabalho sem constrangimentos a realizadores e atores. Sem a Miramax, carreiras como as de Quentin Tarantino, Steve Soderbergh,  Kevin Smith, Anthony Minghella, Neil Jordan não seriam as mesmas.

A grande ironia é que, na exata medida em que os outros estúdios começaram a copiar o modelo – projetos  com pequenos orçamentos, financiamento e realização internacional, diretores criativos – os irmãos Weinstein se desentenderam com a direção da Disney e partiram para a sua própria empresa, deixando a marca Miramax e seus filmes inteiramente nas mãos do estúdio.

Uma longa agonia se seguiu, com lançamentos cada vez mais esparsos, projetos indo para gaveta  e escritórios – em Los Angeles e Nova York – encolhendo cada vez mais. A crise econômica, que afetou violentamente o modo como filmes são custeados e lançados, foi o golpe de misericórdia. Hoje, oficialmente, a Miramax fecha seus dois escritórios e  põe na rua todos os seus funcionários.  O acervo – que inclui gemas como Cães de Aluguel, Sexo Mentiras  e Videotape, Pulp Fiction, The Crying Game, O Escafandro e a Borboleta- permanece na Disney, e, esperamos, acessível em DVD, Blu Ray e downloads.

 

Por Ana Maria Bahiana às 18h22


26/01/2010

Adeus ao "Adam" da série Bonanza

 

PERNELL ROBERTS, 18 DE MAIO DE 1928- 25 DE JANEIRO DE 2010

"Nunca estou satisfeito com meu trabalho."

Por Ana Maria Bahiana às 05h30


25/01/2010

E agora, depois dos prêmios dos produtores?


Bela e fera: Kathryn Bigelow chega aos prêmios da PGA, no Hollywood Palladium

 

The Hurt Locker/ Guerra ao Terror venceu os prêmios da Producers Guild, contrariando as expectativas de todo mundo, inclusive as minhas. É uma vitória muito interessante e que coloca a disputa pelo Oscar num ritmo muito mais intenso. Curiosamente, estava hoje mesmo conversando sobre as diferentes percepções do filme de Kathryn Bigelow, e o quanto ele fala mais alto para as platéias norte-americanas (inclusive as da indústria) do que internacionalmente. Espectadores fora dos EUA vêem em Hurt Locker um exercício no gênero filme de guerra, repleto de momentos de tensão forte e com uma impressionante agilidade na condução da história. Nos EUA ele é o Platoon do começo do século 21, uma remexida na complicada relação do país com as armas, a bizarra atração do perigo extremo, e todo o pesadelo que vem a reboque das guerras.


 Pode-se dizer que o filme do ex- marido de Bigelow, James Cameron, aborda exatamente esses mesmos temas, mas de uma forma metafórica, mítica. Interessante a PGA ter optado por Hurt Locker e não Avatar, não apenas nesse sentido mas também porque, coerente com sua abordagem do tema, o primeiro fez sucesso popular apenas nos EUA e em alguns mercados estrangeiros. E Avatar é o que é, mundo afora.


Dentro de 10 dias saberemos os indicados ao Oscar 2010. Com 10 concorrendo a Melhor Filme, não é difícil prever essa categoria. Mas ficou bem mais apetitoso especular a respeito de quem vai levar o carequinha para casa…

Por Ana Maria Bahiana às 04h50


24/01/2010

No meio da guerra dos prêmios, a munição da campanha

Esperando os prêmios dos produtores, duas observações. Uma, sobre campanhas e porque enfatizo tanto seu papel, aqui. Uma campanha pode custar de 200 mil a 15 milhões de dólares, e é o que realmente torna um título - filme ou série- visível para os votantes. No caso de prêmios de associações de críticos e jornalistas, a campanha é mais focada em realçar um título sobre outros e, quem sabe, ganhar simpatias por fatores além do que se viu na tela. Daí tanto mimo, chocolate e cartãozinho. No caso de associações profissionais,é essencial fazer os votantes verem seu título - este é um pessoal que faz cinema e TV, seu tempo é reduzido e suas simpatias são baseadas em amizades e alianças profissionais. Nesse caso, a decisão - que cabe em geral ao distribuidor do filme nos EUA ou na Grá Bretanha, no caso dos prêmios BAFTA- pode ser vida ou morte para um filme ou série. A raiva do diretor  Duncan Jones se justifica - não foram enviados  DVDs de Moon para ninguém, "por medida de economia". O mesmo motivo fez com que Hurt Locker não tivesse DVDs enviados às associações... e deu no que deu....

Segunda observação: se Sandra Bullock vai mesmo arrebatar os Oscars este ano, ela precisa urgente de uma nova consultora de estilo. Aquele modelito magenta dos Globos só consegue ser melhor do que a coisa preta e azulão que ela usou nos SAGs e que  parecia saída de uma novela dos anos 1980.

Por Ana Maria Bahiana às 18h06


O fator Sandra Bullock em ação nos prêmios SAG

Sandra e quase todos os Bastardos Inglórios agora à noite nos SAG Awards

 

E foi Sandra Bullock mesmo: melhor atriz nos SAG Awards, agora à noite no Shrine Auditorium do centro de Los Angeles. Jeff Bridges, melhor ator. E Bastardos Inglórios, melhor conjunto de elenco. Coadjuvantes? Claro que Mo'nique e Christoph Waltz...

Esse Oscar vai ser interessante...

Na TV, quase um repeteco exato dos Globos: Mad Men e Glee, conjunto de elenco comédia e drama, respectivamente. Ator/ drama, Michael C. Hall, comédia, Alec Baldwin. Atriz/ drama, Julianne Margulies, atriz/comédia,Tina Fey.

Por Ana Maria Bahiana às 01h34


23/01/2010

Adeus Jean Simmons, a bela de "Spartacus"

 

JEAN SIMMONS, 31 DE JANEIRO DE 1929- 22 DE JANEIRO DE 2010

"É preciso muito senso de humor para sobreviver nesta indústria."

Por Ana Maria Bahiana às 05h27


22/01/2010

Num fim de semana de decisões, o fator Sandra Bullock



   Fim de semana de chuva e decisões. De Sundance eu ouço que Howl – a cinebio de Allen Ginsberg com James Franco do qual falamos aqui ano passado- arrasou na abertura, e que o   documentário Restrepo, sobre um pelotão americano no Afeganistão, deixou todo mundo boquiaberto (inclusive Michael Moore, último a deixar o cinema Eccles, em Park City).

Aqui em LA, duas entregas de prêmios: sábado, os da Screen Actors Guild; domingo, os da Producers Guild. Comecemos pela SAG , o mais potente indicador de quem vai ganhar os Oscars de atuação  (porque praticamente todos os seus integrantes são membros do departamento de atores da Academia, que por sua vez é o mais numeroso entre os votantes do Oscar).

Os coadjuvantes todo mundo já sabe: Mo’nique por Preciosa, Christoph Waltz por Bastardos Inglórios. A questão é: quem vai levar melhor ator e atriz? E também: melhor conjunto de elenco, um bom precursor de “melhor filme”, pelos motivos acima.  Jeff Bridges, vencedor dos Globos, pode muito bem repetir a façanha entre seus colegas – além de carregar o filme inteiro em Crazy Heart (inclusive cantando, de verdade) ele é queridíssimo na classe. Seus principais rivais são George Clooney por Amor Sem Escalas e, com menos chances mas ainda assim na disputa,  Colin Firth por A Single Man.

E melhor atriz? O fator Sandra Bullock é a grande incógnita. Se os colegas acharem que ela merece o prêmio por The Blindside, o que parecia impossível um ano atrás está bem próximo da realidade – Sandra Bullock não apenas nas indicações para o Oscar, mas na pole position. Sua competição é Carey Mulligan e Gabourey Siddibe, sem dúvida.

E conjunto de elenco? Embora James Cameron tenha falado até ficar rouco que seu filme se baseia na performance real de seus atores – e um excelente especial da FOX , Creating the World of Pandora, confirma isso, mostrando a preparação e os ensaios – a SAG achou tudo azul demais, e Avatar não está nem indicado.  Considerando a agressividade da campanha de ambos, acho que a briga vai ser entre Bastardos Inglórios e Preciosa. Hurt Locker bem que merece, mas praticamente não fez campanha na SAG.

Quanto aos prêmios dos Produtores, deve dar Avatar direto. Do ponto de vista de um produtor, Avatar é um sonho realizado – um filme feito com ambições dignas dos pioneiros de Hollywood, que não vai parar tão cedo de fazer dinheiro em todas  as plataformas. E como é gostoso ver meu querido Distrito 9 no meio desses gigantes...

 

 

 

 

 

 

 

 

Sandra chega aos Globos (foto Fernando Allende/Broadimage)

Por Ana Maria Bahiana às 22h42


20/01/2010

Academia anuncia o balaio do filme estrangeiro

 

O mais importante primeiro: não, o Brasil não está lá.  Mas Argentina – El Secreto de Sus Ojos- e Peru – La Teta Asustada (vitorioso em Berlim)- estão, assim como os favoritos Un Prophete, da França e A Fita Branca, já premiado em Cannes e nos Globos. E o meu querido Samson and Delilah, pela Austrália, também.

Os outros filmes pré selecionados para as indicações ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro são: Ajami,  Israel; The World is Big and Salvation is Around the Corner, Bulgaria; Kelin, Cazakistão e Winter in Wartime, Holanda.

 

Por Ana Maria Bahiana às 16h30


Globos de Ouro, capítulo final: confesso que votei

 

  

 

Feliz, feliz mesmo eu não fiquei. Meus colegas, que às vezes são tão ousados (gosto sempre de lembrar que premiamos Brokeback Mountain e não Crash-No Limite…) caíram no caminho do fácil, fácil. Ok, cada ano é um ano.

Houve marketing? Claro, e quando não há?  Como apontei aqui, o marketing é infinitamente mais agressivo em cima dos votantes da Academia – lá, para levantar um candidato, os estrategistas tentam em primeiro lugar derrubar os concorrentes, e o jogo é sujíssimo. Haja cotovelada nas costelas! Alguém fala disso? Nããão…. Por isso repito – releiam o ótimo texto de Mike Goodridge sobre os reais motivos atrás da maledicência em cima dos Globos. (Mike aliás foi a primeira pessoa que encontrei no Beverly Hilton. Ganhou um beijão meu na bochecha. Com batom e tudo.)

E agora que posso contar tudo, aqui vai – como eu votei nos Globos 2010. E por que.

TV

Ator coadjuvante:  Para mim Michael Emerson foi a melhor coisa que aconteceu com Lost desde que o avião caiu na ilha. Mas fico feliz por John Lithgow, gente finíssima e um belo desempenho como o Trinity Killer em Dexter.

Atriz coadjuvante : Jane Lynch é preciosa em Glee. Estou meio cansada do desempenho uma-nota-só de Chloe Sevigny. Mas ela estava linda.

Ator/minisserie ou telefilme: Um voto convertido. Kevin Bacon ancora completamente Taking Chance.

Atriz/ minisserie ou telefilme: Sabia que Sigourney não tinha chances, mas votei nela. Confesso que Sigourney, como Helen Mirren, são sempre minhas primeiras escolhas numa cédula.

Minissérie ou telefilme: A precisão histórica e a dimensão humana de Into the Storm ganharam meu voto. Achei Grey Gardens meio over-tudo.

Ator/série-comédia: O que seria de Hung sem Thomas Jane? A cada episódio eu ficava mais impressionada com as nuances de seu desempenho, o quanto de carência e dor havia por baixo da sua aparente autoconfiança. Alec Baldwin é ótimo, sempre, mas queria introduzir um elemento novo na disputa.

Atriz/ série-comédia: Tudo isso eu poderia dizer tambem a respeito de Edie Falco e sua Nurse Jackie, uma personagem fascinantemente complexa. Sempre achei Tara irritante, um truque em vez de um tema.(Podia ter sido  pior - podia ter sido Cougar Town, uma série que é uma piada ... de mau gosto).Quando anunciaram Toni Colette  eu me levantei e fui ao banheiro retocar a maquiagem. Sorte que tinha maquiadoras ótimas da L’Oreal estacionadas lá. Ainda ganhei um monte de amostras de batom de brinde.

Série/comédia: Meu voto entrou – Glee é refrescantemente ousada.

Ator/ série-drama: Meu voto entrou, de novo. Há tempos Michael C. Hall merecia ser reconhecido por carregar piano em Dexter, há várias temporadas.

Atriz/série-drama: Meu voto entrou, de novo. Sem Juliana Margulies, The Good Wife não seria tão interessante quanto é.

Série-drama: Outro voto convertido. Meu raciocínio- no conjunto do trabalho, levando em conta roteiro, direção, elenco, direção de arte, Mad Men é superior a suas concorrentes.

 

Cinema

Canção: Meu voto entrou. Num filme – Crazy Heart- em que as canções contam uma boa parte da história- “The Weary Kind” resume tudo.

Trilha: O trabalho de Michael Giacchino para Up é maravilhoso, mas o de Abel Korzeniowski para A Single Man é paranormal.

Roteiro: Claro que votei em Distrito 9, torcendo para que minha maluquice emplacasse. Caso preciso de voto-guerrilha. Mas Amor Sem Escalas mereceu muitíssimo.

Diretor: Minha primeira inclinação foi votar em Kathryn Bigelow. Porque acompanho e admiro o trabalho dela há muito tempo; porque Hurt Locker é um dos meus filmes favoritos de 2009; e porque queria muito, muito ver uma diretora ser laureada. Mas acabei votando em James Cameron. Leia por que em Melhor Filme/Drama.

Animação: Mr. Fox tem meu coração, mas meu voto foi para Up. Acho que todo mundo aqui sabe por que.

Filme estrangeiro: Cravei A Fita Branca e deu certo. Nenhum dos outros tinha o poder assustador e profundo da obra de Haneke.

Ator coadjuvante: Outro voto dentro. Esse não havia nem concorrência no mesmo nível.

Atriz coadjuvante: Fiquei assombrada com o desempenho de Mo’nique em Preciosa. Em todos os sentidos.

Ator/comédia ou musical: Embora Robert Downey Jr seja a melhor coisa de Sherlock Holmes, meu voto foi para Michael Stuhlbarg, o coração de A Serious Man.

Atriz/comédia ou musical: Seria Meryl, de qualquer maneira. Preferi sua encarnação mediúnica de Julia Childs.

Filme/comédia ou musical: Ri muitíssimo com Se Beber Não Case mas votei em Nine. Acho que vai ser um desses filmes que só eu gosto. Estou acostumada.

Atriz/drama: Desculpem, fãs de Sandra Bullock. A moça é simpaticíssima, e certamente a melhor coisa num filme fraco que parece desses feitos para TV pré-HBO. Teria me assustado menos vê-la ganhar por The Proposal- Sandra é uma excelente comediante. Aqui, meu voto quase foi para Helen Mirren  mas acabei ficando com Gabourey Siddibe- porque sem ela Preciosa seria algo muitíssimo abaixo do que é.

Ator/drama: Fiquei feliz por Jeff Bridges, que além de gente fina é quem carrega A Crazy Heart (este ano estava cheio de carregadores de filme). Mas meu voto foi para Colin Firth, cuja profundidade de desempenho em A Single Man não encontrou, na minha opinião, igual este ano.

Filme/drama: Meu coração estava entre The Hurt Locker e Amor Sem Escalas, este ano (além de D9 que, é claro, não entrou…) Quando vi Avatar a primeira coisa que me ocorreu – com relação a premiações – foi sugerir à diretoria da HFPA um prêmio hors concours para Cameron e seu filme. Ali estava mais que um ótimo filme – tratava-se um salto quântico que ecoava exatamente os feitos de Cecil B de Mille, tão bem lembrados por Scorsese em seu discurso. A proposta não foi adiante – muito em cima da hora, muito complicado. O que fazer, para ser justa? Votar em Avatar.

Ah, sim – melhor festa pós Globos: a da Warner/InStyle. Ambiente gostoso, um super lounge azul e branco. Serviço impecável e celebridades fazendo fila para tirar foto com Mike Tyson…

 

 

Por Ana Maria Bahiana às 01h29


Sobre a autora

Ana Maria Bahiana é jornalista e escritora, com uma carreira que cobre três décadas de reportagem e comentário de cultura no Brasil e no exterior, em imprensa, rádio, televisão e internet. Leia mais

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Cinema, origem e espelho do que acontece na cultura do mundo. Comentário, notícias, críticas e todas as conexões que o cinema propõe - música, moda, estilo de vida.

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