UOL Entretenimento

07/11/2009

Para Chris Weitz, depois da Lua Nova, a volta às raízes latinas

    

 

Não esperem por mais uma adaptação da trilogia Fronteiras do Universo – e certamente não uma dirigida por Chris Weitz. “Bússola de Ouro foi realizada com fontes internacionais de financiamento que acabaram com a crise”, diz Weitz. “O que é uma pena no sentido de que adoro o material, mas não repetiria a experiência com a New Line, que mutilou meu filme por medo de controvérsia. E , no geral, me tratou com grande desrespeito.”

 

No futuro imediato, para Weitz – que assumiu a direção de Lua Nova semanas antes do início das filmagens – é um retorno às raízes: The Gardener, um pequeno filme independente (com a mesma Summit que produz a saga Crepúsculo) sobre um jardineiro mexicano vivendo em Los Angeles. Weitz é neto de Lupita Tovar, estrela dos primórdios do cinema mexicano, e lamenta muito “jamais ter explorado” suas raízes mexicanas. “Vou compensar agora, com uma equipe e um elenco predominantemente hispânico”, ele diz, animado. “E estou aprendendo espanhol, finalmente!”

Por Ana Maria Bahiana às 21h43


Para Chris Weitz, depois da Lua Nova, a volta às raízes latinas

    

 

Não esperem por mais uma adaptação da trilogia Fronteiras do Universo – e certamente não uma dirigida por Chris Weitz. “Bússola de Ouro foi realizada com fontes internacionais de financiamento que acabaram com a crise”, diz Weitz. “O que é uma pena no sentido de que adoro o material, mas não repetiria a experiência com a New Line, que mutilou meu filme por medo de controvérsia. E , no geral, me tratou com grande desrespeito.”

 

No futuro imediato, para Weitz – que assumiu a direção de Lua Nova semanas antes do início das filmagens – é um retorno às raízes: The Gardener, um pequeno filme independente (com a mesma Summit que produz a saga Crepúsculo) sobre um jardineiro mexicano vivendo em Los Angeles. Weitz é neto de Lupita Tovar, estrela dos primórdios do cinema mexicano, e lamenta muito “jamais ter explorado” suas raízes mexicanas. “Vou compensar agora, com uma equipe e um elenco predominantemente hispânico”, ele diz, animado. “E estou aprendendo espanhol, finalmente!”

Por Ana Maria Bahiana às 21h10


06/11/2009

Lua Nova: o indiscreto charme dos rapazes sem camisa

    

Ontem à noite, lua minguante: primeira exibição de imprensa de Lua Nova, segundo capítulo da saga Crepúsculo. Só para a Hollywood Foreign Press Association, no cineminha particular da ICM, uma das três grandes agências de talento daqui. Orquídeas no lobby, sala lotada, seguranças circulando para ver se ninguém estava pirateando a preciosidade. Sem risco – a platéia estava era rindo cada vez que Rob Pattinson ou Taylor Lautner tiram a camisa por qualquer pretexto.

Chris Weitz fez um belo trabalho, e teve a ajuda de um orçamento mais generoso: os efeitos especiais estão mais para efeitos que para defeitos, a direção é firme e bem pensada. Ainda acho a maquiagem dos vampiros mais para palhaço que para criatura sobrenatural, especialmente no momento “glitter”.  Mas meu principal problema  com a Lua não pode ser colocado nos ombros de Weitz: é a sensação de que se trata de uma metáfora pobre para a mesma mensagem que as mulheres vem recebendo ao longo de séculos de literatura “juvenil” – aturem seus homens, não importa o quão violentos, descontrolados, emocionalmente cruéis eles possam ser; vocês são passivas, não tem controle sobre suas vidas, resignem-se, isso é o "amor".

Este é um dos (muitos) problemas do texto, para mim, e as imagens frequentemente belas que Weitz conjura em seu filme apenas ampliam essa mensagem que não cabe mais na alvorada da segunda década do século 21.

 

Por Ana Maria Bahiana às 17h33


03/11/2009

Martin e Baldwin, dupla dinâmica no Oscar 2010

Pode ser divertido, irônico ou um desastre: a Academia acaba de escolher Steve Martin e Alec Baldwin para apresentar o Oscar 2010. Martin tem experiência, já apresentou duas vezes, mas Baldwin, em ascensão por conta de 30 Rock, é um estreante - e, como ele lembrou "não toco nem banjo." Steve é eximio no banjo e em outros instrumentos e, este ano, Hugh Jackman desempenhou no canto-e-dança. Talvez por isso a coisa seja em dobro, este ano (além das indicações a melhor filme, ai,ai...): o charme sarcástico de Baldwin apoiado na experiência de Martin. Vamos ver.

Por Ana Maria Bahiana às 22h05


Mariah Carey: cinema, feiura, Michael Jackson

 

Mariah (com Gabourey) em Precious...

... e em julho, despedindo-se de MJ: "cantei com o coração."

Converso com Mariah Carey, a propósito do filme que pode reinventar sua quase falecida carreira de atriz : Precious, o vencedor de  Sundance que tem deixado uma trilha de elogios por onde tem passado e estréia em circuito limitado, aqui nos EUA, nesta sexta feira. Elogios merecidos, adianto. Inclusive os para Mariah, quase irreconhecível numa anti-maquiagem (“foi um make-under em vez de um makeover”, ela diz, rindo), com direito a buço e péssima iluminação (“luz fluorescente, bem no alto da cabeça, a pior que existe”, ela completa). Ela é Mrs. Weiss, a assistente social que primeiro reconhece na adolescente Precious, do título (a estreate Gabourey Sidibe) algo além de um caso irremediável de pobreza e abuso. E embora esteja muito pouco na tela, sua presença já está gerando aquele zum zum que, em outros anos, levou atrizes às indicações – com menos tempo ainda. “Aprendi minha lição”, diz Mariah, comentando os tempos absurdos de Glitter. “Naquele momento eu não tinha o apoio necessário para fazer um bom filme. Não se faz uma coisa dessas sozinha. É preciso uma boa equipe, um grande diretor. Felizmente tenho isso, agora.”

Rapidamente, contudo, o assunto muda para o atual vitorioso das telas- ironicamente (porque ele não está mais aqui…) Michael Jackson. Mariah admite ter “chorado muito” ao ver This Is It “Com certeza Michael não gostaria que víssemos o processo dele. Mas, na sua ausência, é um conforto termos alguma coisa de seu talento.” Mas chorou muito mais ao abrir a cerimônia fúnebre para seu amigo, em julho. “Eu não sabia que seria uma cerimônia de corpo presente. Nem que eu seria a primeira a se apresentar. Quando a família me convidou, imaginei que seria um espetáculo em sua homenagem, e não que ele estaria lá. Eu jamais diria não à familia- somos amigos de longa data. Mas foi horrivelmente dificil para mim. Eu estava chorando, e quando choro minha garganta fecha. Cantei com meu coração, não com minha garganta."

 

Por Ana Maria Bahiana às 20h06


28/10/2009

This Is It: o sorriso de adeus de Michael Jackson

 

Que grande show teria sido!

Mais que grande – provavelmente o maior comeback desde Elvis em 1968, e com certeza um espetáculo para empurrar de vez os limites do que se pode fazer no palco, na arena do mega-pop. Não direi o que tem lá, o que teríamos visto – não quero estragar a peculiar alegria de quem ainda vai ver o filme.

E esta certeza é apenas uma das tristezas, doces e amargas ao mesmo tempo, que passam pela alma durante os 111 minutos de This Is It, o documentário que Kenny Ortega, diretor do que viria a ser a volta de Michael Jackson aos palcos, costurou a partir do material gravado durante os ensaios. No Chinese Theater de Hollywood– uma das duas estréias simultâneas do filme aqui em Los Angeles- muita gente graúda chorava sem se incomodar em disfarçar. E cada número musical era saudado com aplausos, como se todos nós estivéssemos lá no Staples Center.

As muitas outras tristezas incluem a sensação de perda irremediável, a certeza de que jamais veremos o fruto dos esforços de MJ, Ortega e um brilhante elenco de músicos, dançarinos, diretores de arte, figurinistas, iluminadores, designers de efeitos digitais, físicos e pirotécnicos. A tristeza de saber que este é o ponto final num possível diálogo com um dos artistas pop mais extraordinários do século 20. Quem por acaso  ainda duvidasse do imenso talento que se ocultava naquela vida atribulada, contorcida, muitas vezes estranha como um freakshow mudará de opinião ao ver This is It. Com a completa naturalidade de quem viveu num palco durante a maior parte de seus 50 anos. MJ controla todos os aspectos do espetáculo, cria , corrige e altera o curso de  cada número enquanto está embrenhando em sua execução, ouve cada timbre, nota quando baixo e teclados não estão “funk o bastante”, pede que um riff seja tocado “como se você estivesse saindo da cama”,  mostra aos dançarinos cada posição no palco, sussurra para a guitarrista “agora é seu momento de brilhar”, dispensa um aviso porque “eu sinto quando as luzes mudam atrás de mim” e num de seus únicos momentos de irritação, pede que "The Way You Make Me Feel" seja tocado “como eu escrevi”. E embora esteja sempre dizendo que está “se poupando” em voz e corpo, frequentemente se deixa levar pela magia do momento, e atua como se fosse para valer, arrancando aplausos delirantes da equipe, diminuta platéia no Staples. “Não façam isso comigo”, ele repreende, com um sorriso. “Eu vou embora e esqueço que tenho que poupar minha voz.”

A grande ironia, é claro, é que se Michael estivesse vivo provavelmente não veríamos esta inesperada janela sobre sua alma criativa. O material que compõe o documentário foi feito para sua coleção particular e não para exibição pública, mais um recurso para seu processo de trabalho e não um produto acabado. Ele não gostaria que estivéssemos vendo seus rascunhos – mas para nós, que não temos mais o privilégio de sua companhia, que doloroso prazer ter ao menos esse esboço do que poderia ter sido. E ficar com a lembrança de seu breve sorriso, tão parecido com o do gato de Alice no País das Maravilhas, por um pequeno momento quando as luzes já estão se apagando ao final de “Human Nature.”

 

Por Ana Maria Bahiana às 18h39


26/10/2009

Ricky Gervais, apresentador dos Globos de Ouro

Meus colegas andavam em cólicas discutindo o assunto há semanas, mas finalmente chegaram a um acordo: Ricky Gervais vai mesmo ser o apresentador dos Globos de Ouro 2010. É a primeira vez em 15 anos que a festa tem um apresentador único, ligando cada prêmio - normalmente um sortimento de astros e estrelas se desimcumbiam da tarefa.

Meu voto foi a favor : acho Gervais uma figura que tem tudo a ver com o clima descontraído do evento, além de não ser americano, como nós... Achei bacana que, na coletiva que anunciou o fato, Gervais comentou que já tinha sido convidado várias vezes para esse tipo de tarefa, mas sempre dizia não. E que dessa vez disse sim por ser "um prêmio que se preocupa com TV no mesmo nível de cinema, com comédia no mesmo nível de drama, e traz o ponto de vista do mundo."

Por Ana Maria Bahiana às 17h04


O sucesso dos filhos da Bruxa de Blair

E quem diria, na cobiçada semana do Halloween, quando todo mundo lança seus filmes de terror, o menorzinho de todos, Paranormal Activity, saiu coroado como o vencedor da bilheteria.

Essas batalhas pelo primeiro lugar tem se tornado tão lugar comum que me interessam cada vez menos. Mas este caso é diferente: venho seguindo Paranormal Activity desde que foi o sucesso de Slamdance, o festival off-Sundance que se tornou o refugio dos mini (alguns diriam verdadeiros…) independentes. A história até aqui: realizado em 2006 por 15 mil dólares por um designer de videogames de 39 anos, Oren Peli, com amigos atores  improvisando texto e operando a câmera digital em boa parte do filme, Paranormal foi o sucesso do Shriekfest 2007 o festival independente de terror que está mais cult a cada ano que passa. Com um agente a bordo, Paranormal foi para Slamdance e acabou adquirido pela Dreamworks -  depois de ter assustado Steven Spielberg a ponto dele não querer mais nem olhar para a DVD – mas ficou engavetado um bom tempo, na disputa legal que se seguiu com a separação Dreamworks/ Paramount.

Finalmente, este ano, a Paramount colocou Paranormal nas telas, primeiro num circuito de 200 universidades, depois em pequenos cinemas, sempre apoiado por uma fenomenal campanha de marketing viral. O gancho: como seu antepassado A Bruxa de Blair, 10 anos atrás, Paranormal assume com orgulho o clima “feito em casa”, e propositalmente rompe o limite entre real e fantasia. Seu visual cru, de câmera amadora com contador de tempo rodando é o que assusta, criando a impressão de que estamos vendo a documentação, em primeira mão, de uma casa possuída por um ser maligno.

Expandido para 1945 telas esta semana, Paranormal fez 22 milhões de dólares, ultrapassando Jogos Mortais 6 com tranquilidade. Com uma bilheteria total de 63 milhões de dólares, Paranormal Activity pode ultrapassar a Bruxa como o filme mais rentável de todos os tempos.

Peli já assinou contrato para fazer mais um filme no mesmo estilo: Area 51, obviamente sobre alienígenas.

 

Semana que vem Paranormal terá competição exatamente no mesmo departamento, quando estrear The Fourth Kind, outro filme que utiliza material “amador” que supostamente documenta abduções alienígenas numa cidade do Alasca.

O que eu acho interessante: que produções desse tipo seguem o caminho oposto do super-arrasa quarteirão, apertando nossos botões psicológicos não pelo que mostram mas pelo que não mostram (até porque não teriam dinheiro para mostrar…) O que acho perturbador: a tranquilidade com que ficção é embalada como documento, num momento em que, culturalmente, estamos mais acostumados a uma “realidade” manipulada.

E vocês, o que acham?

 

Por Ana Maria Bahiana às 03h27


24/10/2009

Para Zemeckis, o futuro do cinema é digital

Os mosqueteiros 3D: Starkey, Zemeckis, Rapke

Converso com Robert Zemeckis e seus produtores de fé, Jack Rapke e Steve Starkey, responsáveis pelo filme no qual a Disney está apostando a maior parte de sua fichas para salvá-la de um ano tão ruim que decapitou sua chefia: Os Fantasmas de Scrooge, adaptação performance-capture de Um Conto de Natal, de Charles Dickens (estréia mundial dia 6 de novembro). Um dos primeiros convertidos ao credo da captação e manipulação digital das imagens  Zemeckis é, hoje, um apóstolo entusiasmado: “O futuro do cinema é digital. Disso eu não tenho a menor dúvida.” Zemeckis se volta para o outro lado da sala, onde um grupo de fotógrafos  capta imagens  do astro de Scrooge, Jim Carrey: “Ei, pessoal, quantos de vocês estão trabalhando com filme?” “Ninguém”, vem a resposta, em uníssono. Zemeckis sorri: “Preciso dizer mais algo?”

Depois de trabalhar com a técnica de performance capture em Expresso Polar e Beowulf, Zemeckis se diz “completamente apaixonado” pelo formato. “De Expresso Polar a Scrooge a tecnologia melhorou mil por cento. Hoje temos a textura de pele, a captação dos músculos e da expressão dos atores num nível quase ideal. Ainda há muito o que fazer, mas estou cada vez mais seguro que este é o caminho que mais me empolga. Ela me dá a liberdade e o controle completos que é um sonho para todo realizador: posso imaginar o que quiser, fazer e refazer tomadas quantas vezes quiser, trabalhar com os atores o tempo que quiser sem ser importunado por custos, tempo, equipes gigantescas, cenários, locações.”

Jim Carrey como Scrooge: "A tecnologia melhorou mil por cento"

Isso não quer dizer que Zemeckis considere performance capture a única forma de expressão possível: “O cinema seria muito chato, assim. Há histórias que só devem ser contadas em preto e branco. Histórias que só devem ser filmadas naturalisticamente, em cenários reais. Cada história é uma sensibilidade diferente.” Zemeckis troca  figurinhas constantemente com outro evangelista da performance capture/3D, seu amigo James Cameron. “Estamos seguindo caminhos diferentes na mesma direção, que é empurrar o cinema para sua nova fronteira tecnológica”, diz Zemeckis, acrescentando que a Academia “inevitavelmente vai ter que criar uma nova categoria para os filmes que nós estamos fazendo – e que com certeza outras pessoas farão, cada vez mais.” (Zemeckis acaba de doar um estúdio completo de performance capture para sua alma mater, a escola de cinema da University of Southern California).

Zemeckis, Rapke e Starkey acabam de criar, em parceira com a Disney, um estúdio dedicado exclusivamente à produção de títulos utiizando performance capture, para lançamento em 3D e 2D. “Estamos sempre focados em três coisas: a história, o custo e o espetáculo.”, diz Rapke. “O custo, com esta tecnologia, é infinitamente mais fácil de ser controlado. O espetáculo é o que vai tirar as pessoas de casa, de frente de suas telas domésticas. Mas a base de tudo é e sempre vai ser a história.” A próxima produção da ImageMovers é uma refeitura de Yellow Submarine, o desenhor animado hiper cult dos Beatles. Com os Beatles, Bob? “Estamos contando com isso.” Todos eles? “Todos”, ele ri.

 

Por Ana Maria Bahiana às 19h15


20/10/2009

A vaga foi preenchida

Numa (feliz?) coincidência a Academia acaba de anunciar os produtores para 2010: um bom amigo de Tom Sherak - Bill Mechanic, ex-chefão da Fox e da Disney - e um pro de musicais, Adam Shankman, dançarino, coreógrafo, diretor de Hairspray. O que me preocupa: Shankman é um dos diretores favoritos de Adam Sandler. Eis uma conexão que me dá arrepios.

Mas ouço agora que Sherak está pondo pressão no diretor do departamento de atores, Tom Hanks, para que ele sue a camisa do smoking ano que vem, no papel de apresentador...

Por Ana Maria Bahiana às 17h37


Procura-se: produtor para o Oscar

 

A esta altura do ano, em 2008, já tínhamos produtor para o Oscar – Bill Condon, que fez um excelente trabalho, quebrando a espiral descendente de audiência e mostrando ao mundo o charme de Hugh Jackman como mestre de cerimônias. E agora? Condon já disse que não poderá, e os assessores de Jackman já mandaram dizer que “não estão encorajando” um “sim” por parte do astro australiano. “Não queremos que ele fique marcado como um show man, ele é um ator acima de tudo”, disse um dos consiglieri.

A posição da Academia, segundo o diretor executivo Bruce Davis, é que este ano “pode ser qualquer pessoa”. “Qualquer pessoa” em termos – este é um posto que exige qualificações muito específicas. Há uma listinha de candidatos, alguns vitalícios – todo ano a Academia pede a Steven Spielberg para produzir, todo ano ele diz que está muito ocupado. Por outra lado, há o eterno regra três Bill Cates, veterano de 14 Oscars, sempre um recurso à mão.

Outros nomes cogitados: Steve Roth, grande amigo do atual presidente, Tom Sherak, que produziu os Oscars 2005 com Quincy Jones; Laura Ziskin, também amiga de Sherak, responsável pelo evento em 2002 e 2007; Kathleen Kennedy, lugar-tenente de Spielberg; Craig Zadan e Neil Meron, a dupla responsável por Chicago; e Dan Jinks e Bruce Cohen (Beleza Americana, Milk).

Como o produtor é que prepara a lista de apresentadores – para aprovação conjunta, depois, pelo presidente da Academia e a rede ABC – a sensibilidade do/da escolhido/da vai determinar o clima da festa… Muitos nomes andam pipocando por aqui, de Tina Fey a Neil Patrick Harris, passando Alec Baldwin, Justin Timberlake ou a volta de Ellen DeGeneres, Whoopi Goldberg, Chris Rock e Jon Stewart.

E vocês, quem escolheriam?

 

 

 

Por Ana Maria Bahiana às 16h48


17/10/2009

E se a TV for o novo cinema?

 

Sexta feira de por a vida em dia com um amigo acadêmico. Comparamos notas : nossos problemas são muito parecidos. “Ainda não vimos todos os filmes, certo?”, ele suspira. Certo – ainda há esperança. Porque agora, neste momento, conseguimos no máximo e com muito esforço criar minguadas listas de três, quatro nomes/títulos. Eu tenho o problema adicional de ter que achar cinco dramas e cinco comédias. Ele tem um novo abacaxi: achar 10 candidatos a um Oscar… “Péssima idéia, péssima idéia”, ele resmunga. “Torna tudo tão vulgar, sem significado.”

Temos também um outro ponto em comum: não paramos de ver TV, e estamos cada vez mais encantados com a qualidade da produção para a tela não mais tão pequena. Eu, pelo menos, posso destacar e premiar os melhores dos melhores, doce tarefa para a qual, em muitas categorias, tenho mais candidatos que vagas. “Eu queria muito ir ver todos os filmes que estão concorrendo”, diz meu amigo. “Mas estou muito mais contente vendo, em casa, os melhores roteiros e atores.”

E esse é o grande tema deste ano: na marcha a ré do cinemão, na contração do cineminha, a TV dispara como o grande celeiro de talento, muitos emigrados de filmes, muitos sem nem sequer passar por lá. “Essa”, diz meu amigo. “É a discussão que meus colegas e a mídia deveriam estar tendo, agora.”

Concordo plenamente.

 

Por Ana Maria Bahiana às 14h52


15/10/2009

Sexy Girl

 

Feliz 20 anos, Simpsons! (O que será que Homer achou?)

Por Ana Maria Bahiana às 17h48


A outra Copa: 65 países em busca de um Oscar

A Academia fechou a lista dos candidatos à corrida do ouro deste ano: 65 países, menos que nos anos anteriores. Como vimos há pouco, não houve exatamente um encolhimento da produção internacional... Será que muitos países simplesmente desistiram da loteria da Academia, que a cada ano parece mais distante da realidade do fazer cinema pelo mundo afora? Não devo aqui fazer um julgamento geral : os departamentos de comunicação, pesquisa, preservação e educação da Academia tem se mantido na linha de frente do contato com o mundo. Não é apenas Miyazaki em noite de gala no teatro Samuel Goldwyn - são as exposições de Fellini e Anime, Rashomon restaurado, a visita de atores, roteiristas e diretores ao Irã, e muito mais. O que me parece cada vez mais envolto em naftalina é o Comitê do Filme Estrangeiro, cada vez mais digno do Oscar de Sem Noção...

Tendo dito isto, nesta lista três títulos tem uma pequena vantagem: The White Ribbon, de Haneke e Un Prophéte, de Audiard, vitoriosos em Cannes, e Baari, de Tornatore, laureado em Veneza (Já ouvi alguns gritos e sussurros: um acadêmico, que felizmente não está no Comitê, me disse que o filme italiano é "tão emocionante quanto ver tinta secar.")

Agora é atenção à segunda semana de janeiro, quando sai a lista dos candidatos a candidatos, o balaio final dos títulos que realmente estarão na disputa.

Por Ana Maria Bahiana às 16h45


12/10/2009

CINEASTA TAMBÉM TEM INFÂNCIA

 

Spike Jonze jura que é pura coincidência, e que não quer dizer, absolutamente, que alguns dos cineastas mais originais em atividade, hoje, estejam com falta de idéias. Mas o fato é que, entre este mes e março de 2010 (abril, no Brasil) veremos três versões de célebres livros infantis pelos olhares de três diretores extremamente autorais: Spike Jonze, Wes Anderson e Tim Burton.

Coerente com suas visões peculiares, os três escolheram três obras de três autores completamente “fora da caixa” da literatura infantil (não que literatura infantil seja açucarada por definição- de Andersen a Grimm, histórias para crianças são mergulhos perigosos no nosso inconsciente mais profundo… e sombrio).  Jonze ,admirador há tempos do americano Maurice Sendak, escolheu o livro que vem fazendo a cabeça das crianças norte-americanas desde os anos 60: Where the Wild Things Are, uma obra tão poderosa e subversiva que, em seu lançamento em 1963, foi banida de várias bibliotecas escolares. Anderson, um dos americanos mais europeus que existem, ficou com Fantastic Mr. Fox, do galês, filho de noruegueses, Roald Dahl, famoso pelo seu humor sarcástico e fina ironia. Tim Burton, que vive, ele mesmo, numa espécie de universo paralelo, optou pelo psicodélico Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll.

Ainda temos uns bons cinco meses até poder ver o que Burton imaginou para sua Alice, mas, curiosamente, ele foi o único a abraçar inteiramente as novas tecnologias digitais para criar o universo de Alice, o Coelho, o Chapeleiro Maluco e a Rainha de Copas. Tanto Anderson quanto Jonze, em cartaz este mes nos EUA, deram uma muito consciente marcha à ré e optaram por um visual low-tech, à moda antiga. Jonze manipulou minimamente as criaturas monstruosas imaginadas por Sendak, e trabalhou basicamente com atores em trajes especiais, na paisagem maravilhosa do sul da Austrália. Anderson escolheu a stop motion tradicional, sem nenhum acréscimo digital, e quase leva os animadores à loucura com as exigências de rigor nos detalhes do cenário (Anderson é um desses realizadores que se expressa primariamente pela direção de arte…). Além disso, Anderson se recusou a sair de seu apartamento em Paris, e dirigiu o filme à distância, via web, enquanto os animdaores trabalhavam em Londres….

Pessoalmente, nenhum dos dois me fez dizer uau! O livro de Sendak é tão poderoso – uma obra curta e potente que reconhece o poder da imaginação, da raiva e da frustração em toda criança – que mesmo as mais belas imagens do filme (e há muitas) empalidecem por comparação. O livro é poderoso,em grande parte, porque é curto e não explica nada – coisa que o filme é obrigado a fazer, com bem menos sucesso.

 

O Mr. Fox com a voz de George Clooney e o figurino de um gentleman farmer (como Dahl era) é uma espécie de versão stop motion de qualquer bom filme de Wes Anderson, chiquérrimo, irônico, com uma bela trilha sonora e personagens que falam exatamente como os de… um filme de Wes Anderson (o fato das demais vozes incluírem Bill Murray, Owen Wilson e Jason Schwartzman ajuda…)

 

E Tim e sua Alice? Só vendo…

 

 

Por Ana Maria Bahiana às 20h09


Sobre a autora

Ana Maria Bahiana é jornalista e escritora, com uma carreira que cobre três décadas de reportagem e comentário de cultura no Brasil e no exterior, em imprensa, rádio, televisão e internet. Leia mais

Sobre o blog

Cinema, origem e espelho do que acontece na cultura do mundo. Comentário, notícias, críticas e todas as conexões que o cinema propõe - música, moda, estilo de vida.

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