Hollywood em pânico: o cabeleireiro-produtor vai contar tudo

Jon Peters, hoje (até o cabelo ficou nos anos 80)...
"Agora que não existem mais banqueiros de investimento, o grande empreendedor de cinema transformou-se na grande fantasia (mais poderosa até do que astro de cinema, que é mais um delírio do que uma escolha profissional)" - esta é uma das muitas frases de efeito que pontuam a longa proposta para o que se chamará Studio Head, autobiografia de Jon Peters, o homem que, de cabeleireiro das estrelas passou a namorado de Barbra Streisand, produtor e, finalmente, chefe de estúdio (a Columbia, no final dos 1980-começo dos 90). E só essa proposta, vazada muito de propósito no site da sempre ligadérrima Nikki Finke, já está causando mais danos que um terremoto e um incêndio florestal ao mesmo tempo... "Deveria se chamar Dickhead!", Finke vociferou em seu blog, acrescentando que se tratava " da pior traição entre colegas que eu já vi em todos os meus longos anos cobrindo a indústria."
Num metier onde traição é tão comum quanto bom dia, o que Peters poderia acrescentar? Pelo que se lê na proposta, pelo menos muitos detalhes apimentados e bem documentados, que vão do quem dormiu com quem (inclusive duas ex-namoradas que faturaram um presidente, o mesmo, aliás...) ao quem passou a perna em quem, como e por que.

... e com a namorada Barbra Streisand em 1977, recolhendo Globos de Ouro por Nasce uma Estrela
Peters tem de fato uma trajetória tão fabulosa que pareceria fictícia: nascido numa família pobre dos distantes subúrbios operários de Los Angeles, cresceu em gangues e foi mandado para o reformatório juvenil, onde aprendeu o ofício de cabeleireiro. Ao sair do reformatório, treinou na barbearia do pai o suficiente para ousar abrir seu salão em Beverly Hills, onde rapidamente tornou-se um sucesso, menos pela sua técnica e mais pelo fato de ser jovem, bonitão, sedutor e heterossexual (sim é ele o personagem vivido por Warren Beatty no maravilhoso Shampoo, de Hal Ashby). Quando Barbra Streisand t
ornou-se primeiro sua cliente e depois sua namorada, Peters deu o famoso salto quântico: transformou-se no empresário da diva e, em pouco tempo, seu produtor. O sucesso de Nasce uma Estrela foi a cereja no sundae, e o início da dupla Jon Peters/Peter Guber que criaria arrasa-quarteirões como Flashdance, A Cor Púrpura , Rain Man, Um Lobisomem Americano em Londres e o Batman de 1989. Depois, a presidência da Columbia, uma gastação desenfreada e, finalmente, um punhal pelas costas do ex-parceiro Guber. Ai!
Imaginem as entrelinhas disso tudo, num livro....
Desde que a proposta vazou, Peters foi inundado por telefonemas e emails de todo tipo, muitos com ameças claras e veladas. Por isso resolveu não mais falar sobre o projeto, recusando até um contrato antecipado (e lucrativo) com a editora Harper Collins. Mas vai continuar a escrever sua obra magna.... "calmamente e com privacidade".
Isso ainda vai render..
Por Ana Maria Bahiana às 14h20








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