UOL Entretenimento

28/05/2009

Hollywood em pânico: o cabeleireiro-produtor vai contar tudo

Jon Peters, hoje (até o cabelo ficou nos anos 80)...

"Agora que não existem mais banqueiros de investimento, o grande empreendedor de cinema transformou-se na grande fantasia (mais poderosa até do que astro de cinema, que é mais um delírio do que uma escolha profissional)" - esta é uma das muitas frases de efeito que pontuam a longa proposta para o que se chamará Studio Head, autobiografia de Jon Peters, o homem que, de cabeleireiro das estrelas passou a namorado de Barbra Streisand, produtor e, finalmente, chefe de estúdio (a Columbia, no final dos 1980-começo dos 90). E só essa proposta, vazada muito de propósito no site da sempre ligadérrima Nikki Finke, já está causando mais danos que um terremoto e um incêndio florestal ao mesmo tempo... "Deveria se chamar Dickhead!", Finke vociferou em seu blog, acrescentando que se tratava " da pior traição entre colegas que eu já vi em todos os meus longos anos cobrindo a indústria."

Num metier onde traição é tão comum quanto bom dia, o que Peters poderia acrescentar? Pelo que se lê na proposta, pelo menos muitos detalhes apimentados e bem documentados, que vão do quem dormiu com quem (inclusive duas ex-namoradas que faturaram um presidente, o mesmo, aliás...) ao quem passou a perna em quem, como e por que.

... e com a namorada Barbra Streisand em 1977, recolhendo Globos de Ouro por Nasce uma Estrela

Peters tem de fato uma trajetória tão fabulosa que pareceria fictícia: nascido numa família pobre dos distantes subúrbios operários de Los Angeles, cresceu em gangues e foi mandado para o reformatório juvenil, onde aprendeu o ofício de cabeleireiro. Ao sair do reformatório, treinou na barbearia do pai o suficiente para ousar abrir seu salão em Beverly Hills, onde rapidamente tornou-se um sucesso, menos pela sua técnica e mais pelo fato de ser jovem, bonitão, sedutor e heterossexual (sim é ele o personagem vivido por Warren Beatty no maravilhoso Shampoo, de Hal Ashby). Quando Barbra Streisand tornou-se primeiro sua cliente e depois sua namorada, Peters deu o famoso salto quântico: transformou-se no empresário da diva e, em pouco tempo, seu produtor. O sucesso de Nasce uma Estrela foi a cereja no sundae, e o início da dupla Jon Peters/Peter Guber que criaria arrasa-quarteirões como Flashdance, A Cor Púrpura , Rain Man, Um Lobisomem Americano em Londres e o Batman de 1989. Depois,  a presidência da Columbia, uma gastação desenfreada e, finalmente, um punhal pelas costas do ex-parceiro Guber. Ai!

Imaginem as entrelinhas disso tudo, num livro....

Desde que a proposta vazou, Peters foi inundado por telefonemas e emails de todo tipo, muitos com ameças claras e veladas. Por isso resolveu não mais falar sobre o projeto, recusando até um contrato antecipado (e lucrativo) com a editora Harper Collins. Mas vai continuar a escrever sua obra magna.... "calmamente e com privacidade".

Isso ainda vai render..

Por Ana Maria Bahiana às 14h20


26/05/2009

Risos X tiros: a batalha pelos corações e mentes da platéia

Interessante, como revelador de tendência de público: Uma Noite no Museu II (escapista, alegre, positiva) bateu de longe Terminator: Salvation (escapista, sombrio, apocalíptico): 70 milhões de dólares para o primeiro, 53 milhões de dólares para o segundo.

Por que os números interessam? Porque os dois filmes são destinados ao grande consumo, mirando desejos e expectativas diferentes. Porque a diferença é substancial o bastante para indicar um estado emocional de platéias: queremos rir com nossas famílias, e não ranger os dentes com o fim do mundo (mesmo com a "salvação" à vista). Porque ao analisar resultados assim aparecem padrões de comportamento e preferência que determinam o "sim" ou "não" para futuros projetos.

Por Ana Maria Bahiana às 11h16


24/05/2009

Cannes, c'est fini

A fila para a glória: Isabelle Huppert, Charlotte Gainsbourg e Jacques Audiard esperam a vez para serem fotografados, pós-Palma

Acabou-se. Como esperado, a glória foi dividida entre os dois filmes que desde o primeiro momento capturaram as poucas unanimidades da Croisette: Das Weisse Band, drama de guerra de Michael Haneke (Palma de ouro) e Un Prophete, drama de crime de Jacques Audiard (Grand Prix do Júri, que equivale a um segundo lugar). Ambos têm bom distribuidor nos EUA, a Sony Classics, o que já dá a dica para o que pode acontecer no final do ano...

Os cineastes: Haneke, Audiard e suas Palmas

Charlotte Gainsbourg levou a Palma de melhor atriz, certamente pela coragem emocional de cometer cenas de mutilação sexual explícita para as câmeras voyeuses da eterna bête noire Lars Von Trier, o Anticristo (a brincadeira é dele mesmo, nos créditos do filme). E Cristoph Waltz, que é austríaco, ficou com a solitária Palma para um filme norte-americano: melhor ator por Bastardos Inglórios, de Quentin Tarantino.

Olho nele: Waltz e sua Palma

Aqui paro para fazer meu primeiro comentário: olho nele. O personagem de Waltz em Bastardos,  Coronel Hans Landa, é o mais bem escrito do roteiro de Tarantino, um desses vilões suculentos e complexos que fazem carreiras. Meu palpite é que, com todos os problemas do filme (continuem lendo...) Waltz vai longe.

O que aconteceu atrás do pano:

  • Brigas sérias na sala do juri, dividido ao meio, por conta, em grande parte , do prêmio a Charlotte Gainsbourg - e o gênio tempestuoso da presidente Isabelle Huppert.
  • Palma de simpatia: Terry Gilliam, que defendeu bravamente as cores de um filme feito com sangue, suor e lágrimas, carregou lindamente a carga emocional do adeus a Heath Ledger e ainda anunciou que seu malsinado Don Quixote vai finalmente ser filmado.
  • Dever de casa para Tarantino: Bastardos vai voltar para a ilha de edição para, me contam, um "polimento drástico" antes de sua estréia americana, dia 21 de agosto.
  • O mercado: morno. Todo mundo pensando um bocado e contando os tostões antes de adquirir filmes. Contenção e conservadorismo, as palavras de ordem.
  • Muito papo na linha: Cannes ainda importa? Ainda faz sentido? Conclusão aparente: sim, mais do que nunca. Corre o risco de se tornar, talvez, por um bom tempo, uma ilha solitária, no Mediterrâneo, onde cinema como exercício de idéias ainda sobrevive.

Por Ana Maria Bahiana às 18h09


Momento Cannes, 4

Harvey "poderoso chefão" Weinstein rifa beijos de Robert "doce vampiro" Pattinson na festa Film Against Aids, em benefício da AmFar, no Hotel du Cap, Eden Roc, Cap D'Antibes.

Por Ana Maria Bahiana às 23h55


Sobre a autora

Ana Maria Bahiana é jornalista e escritora, com uma carreira que cobre três décadas de reportagem e comentário de cultura no Brasil e no exterior, em imprensa, rádio, televisão e internet. Leia mais

Sobre o blog

Cinema, origem e espelho do que acontece na cultura do mundo. Comentário, notícias, críticas e todas as conexões que o cinema propõe - música, moda, estilo de vida.

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