UOL Entretenimento

17/10/2009

E se a TV for o novo cinema?

 

Sexta feira de por a vida em dia com um amigo acadêmico. Comparamos notas : nossos problemas são muito parecidos. “Ainda não vimos todos os filmes, certo?”, ele suspira. Certo – ainda há esperança. Porque agora, neste momento, conseguimos no máximo e com muito esforço criar minguadas listas de três, quatro nomes/títulos. Eu tenho o problema adicional de ter que achar cinco dramas e cinco comédias. Ele tem um novo abacaxi: achar 10 candidatos a um Oscar… “Péssima idéia, péssima idéia”, ele resmunga. “Torna tudo tão vulgar, sem significado.”

Temos também um outro ponto em comum: não paramos de ver TV, e estamos cada vez mais encantados com a qualidade da produção para a tela não mais tão pequena. Eu, pelo menos, posso destacar e premiar os melhores dos melhores, doce tarefa para a qual, em muitas categorias, tenho mais candidatos que vagas. “Eu queria muito ir ver todos os filmes que estão concorrendo”, diz meu amigo. “Mas estou muito mais contente vendo, em casa, os melhores roteiros e atores.”

E esse é o grande tema deste ano: na marcha a ré do cinemão, na contração do cineminha, a TV dispara como o grande celeiro de talento, muitos emigrados de filmes, muitos sem nem sequer passar por lá. “Essa”, diz meu amigo. “É a discussão que meus colegas e a mídia deveriam estar tendo, agora.”

Concordo plenamente.

 

Por Ana Maria Bahiana às 14h52


15/10/2009

Sexy Girl

 

Feliz 20 anos, Simpsons! (O que será que Homer achou?)

Por Ana Maria Bahiana às 17h48


A outra Copa: 65 países em busca de um Oscar

A Academia fechou a lista dos candidatos à corrida do ouro deste ano: 65 países, menos que nos anos anteriores. Como vimos há pouco, não houve exatamente um encolhimento da produção internacional... Será que muitos países simplesmente desistiram da loteria da Academia, que a cada ano parece mais distante da realidade do fazer cinema pelo mundo afora? Não devo aqui fazer um julgamento geral : os departamentos de comunicação, pesquisa, preservação e educação da Academia tem se mantido na linha de frente do contato com o mundo. Não é apenas Miyazaki em noite de gala no teatro Samuel Goldwyn - são as exposições de Fellini e Anime, Rashomon restaurado, a visita de atores, roteiristas e diretores ao Irã, e muito mais. O que me parece cada vez mais envolto em naftalina é o Comitê do Filme Estrangeiro, cada vez mais digno do Oscar de Sem Noção...

Tendo dito isto, nesta lista três títulos tem uma pequena vantagem: The White Ribbon, de Haneke e Un Prophéte, de Audiard, vitoriosos em Cannes, e Baari, de Tornatore, laureado em Veneza (Já ouvi alguns gritos e sussurros: um acadêmico, que felizmente não está no Comitê, me disse que o filme italiano é "tão emocionante quanto ver tinta secar.")

Agora é atenção à segunda semana de janeiro, quando sai a lista dos candidatos a candidatos, o balaio final dos títulos que realmente estarão na disputa.

Por Ana Maria Bahiana às 16h45


12/10/2009

CINEASTA TAMBÉM TEM INFÂNCIA

 

Spike Jonze jura que é pura coincidência, e que não quer dizer, absolutamente, que alguns dos cineastas mais originais em atividade, hoje, estejam com falta de idéias. Mas o fato é que, entre este mes e março de 2010 (abril, no Brasil) veremos três versões de célebres livros infantis pelos olhares de três diretores extremamente autorais: Spike Jonze, Wes Anderson e Tim Burton.

Coerente com suas visões peculiares, os três escolheram três obras de três autores completamente “fora da caixa” da literatura infantil (não que literatura infantil seja açucarada por definição- de Andersen a Grimm, histórias para crianças são mergulhos perigosos no nosso inconsciente mais profundo… e sombrio).  Jonze ,admirador há tempos do americano Maurice Sendak, escolheu o livro que vem fazendo a cabeça das crianças norte-americanas desde os anos 60: Where the Wild Things Are, uma obra tão poderosa e subversiva que, em seu lançamento em 1963, foi banida de várias bibliotecas escolares. Anderson, um dos americanos mais europeus que existem, ficou com Fantastic Mr. Fox, do galês, filho de noruegueses, Roald Dahl, famoso pelo seu humor sarcástico e fina ironia. Tim Burton, que vive, ele mesmo, numa espécie de universo paralelo, optou pelo psicodélico Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll.

Ainda temos uns bons cinco meses até poder ver o que Burton imaginou para sua Alice, mas, curiosamente, ele foi o único a abraçar inteiramente as novas tecnologias digitais para criar o universo de Alice, o Coelho, o Chapeleiro Maluco e a Rainha de Copas. Tanto Anderson quanto Jonze, em cartaz este mes nos EUA, deram uma muito consciente marcha à ré e optaram por um visual low-tech, à moda antiga. Jonze manipulou minimamente as criaturas monstruosas imaginadas por Sendak, e trabalhou basicamente com atores em trajes especiais, na paisagem maravilhosa do sul da Austrália. Anderson escolheu a stop motion tradicional, sem nenhum acréscimo digital, e quase leva os animadores à loucura com as exigências de rigor nos detalhes do cenário (Anderson é um desses realizadores que se expressa primariamente pela direção de arte…). Além disso, Anderson se recusou a sair de seu apartamento em Paris, e dirigiu o filme à distância, via web, enquanto os animdaores trabalhavam em Londres….

Pessoalmente, nenhum dos dois me fez dizer uau! O livro de Sendak é tão poderoso – uma obra curta e potente que reconhece o poder da imaginação, da raiva e da frustração em toda criança – que mesmo as mais belas imagens do filme (e há muitas) empalidecem por comparação. O livro é poderoso,em grande parte, porque é curto e não explica nada – coisa que o filme é obrigado a fazer, com bem menos sucesso.

 

O Mr. Fox com a voz de George Clooney e o figurino de um gentleman farmer (como Dahl era) é uma espécie de versão stop motion de qualquer bom filme de Wes Anderson, chiquérrimo, irônico, com uma bela trilha sonora e personagens que falam exatamente como os de… um filme de Wes Anderson (o fato das demais vozes incluírem Bill Murray, Owen Wilson e Jason Schwartzman ajuda…)

 

E Tim e sua Alice? Só vendo…

 

 

Por Ana Maria Bahiana às 20h09


Sobre a autora

Ana Maria Bahiana é jornalista e escritora, com uma carreira que cobre três décadas de reportagem e comentário de cultura no Brasil e no exterior, em imprensa, rádio, televisão e internet. Leia mais

Sobre o blog

Cinema, origem e espelho do que acontece na cultura do mundo. Comentário, notícias, críticas e todas as conexões que o cinema propõe - música, moda, estilo de vida.

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