UOL Entretenimento

24/10/2009

Para Zemeckis, o futuro do cinema é digital

Os mosqueteiros 3D: Starkey, Zemeckis, Rapke

Converso com Robert Zemeckis e seus produtores de fé, Jack Rapke e Steve Starkey, responsáveis pelo filme no qual a Disney está apostando a maior parte de sua fichas para salvá-la de um ano tão ruim que decapitou sua chefia: Os Fantasmas de Scrooge, adaptação performance-capture de Um Conto de Natal, de Charles Dickens (estréia mundial dia 6 de novembro). Um dos primeiros convertidos ao credo da captação e manipulação digital das imagens  Zemeckis é, hoje, um apóstolo entusiasmado: “O futuro do cinema é digital. Disso eu não tenho a menor dúvida.” Zemeckis se volta para o outro lado da sala, onde um grupo de fotógrafos  capta imagens  do astro de Scrooge, Jim Carrey: “Ei, pessoal, quantos de vocês estão trabalhando com filme?” “Ninguém”, vem a resposta, em uníssono. Zemeckis sorri: “Preciso dizer mais algo?”

Depois de trabalhar com a técnica de performance capture em Expresso Polar e Beowulf, Zemeckis se diz “completamente apaixonado” pelo formato. “De Expresso Polar a Scrooge a tecnologia melhorou mil por cento. Hoje temos a textura de pele, a captação dos músculos e da expressão dos atores num nível quase ideal. Ainda há muito o que fazer, mas estou cada vez mais seguro que este é o caminho que mais me empolga. Ela me dá a liberdade e o controle completos que é um sonho para todo realizador: posso imaginar o que quiser, fazer e refazer tomadas quantas vezes quiser, trabalhar com os atores o tempo que quiser sem ser importunado por custos, tempo, equipes gigantescas, cenários, locações.”

Jim Carrey como Scrooge: "A tecnologia melhorou mil por cento"

Isso não quer dizer que Zemeckis considere performance capture a única forma de expressão possível: “O cinema seria muito chato, assim. Há histórias que só devem ser contadas em preto e branco. Histórias que só devem ser filmadas naturalisticamente, em cenários reais. Cada história é uma sensibilidade diferente.” Zemeckis troca  figurinhas constantemente com outro evangelista da performance capture/3D, seu amigo James Cameron. “Estamos seguindo caminhos diferentes na mesma direção, que é empurrar o cinema para sua nova fronteira tecnológica”, diz Zemeckis, acrescentando que a Academia “inevitavelmente vai ter que criar uma nova categoria para os filmes que nós estamos fazendo – e que com certeza outras pessoas farão, cada vez mais.” (Zemeckis acaba de doar um estúdio completo de performance capture para sua alma mater, a escola de cinema da University of Southern California).

Zemeckis, Rapke e Starkey acabam de criar, em parceira com a Disney, um estúdio dedicado exclusivamente à produção de títulos utiizando performance capture, para lançamento em 3D e 2D. “Estamos sempre focados em três coisas: a história, o custo e o espetáculo.”, diz Rapke. “O custo, com esta tecnologia, é infinitamente mais fácil de ser controlado. O espetáculo é o que vai tirar as pessoas de casa, de frente de suas telas domésticas. Mas a base de tudo é e sempre vai ser a história.” A próxima produção da ImageMovers é uma refeitura de Yellow Submarine, o desenhor animado hiper cult dos Beatles. Com os Beatles, Bob? “Estamos contando com isso.” Todos eles? “Todos”, ele ri.

 

Por Ana Maria Bahiana às 19h15


20/10/2009

A vaga foi preenchida

Numa (feliz?) coincidência a Academia acaba de anunciar os produtores para 2010: um bom amigo de Tom Sherak - Bill Mechanic, ex-chefão da Fox e da Disney - e um pro de musicais, Adam Shankman, dançarino, coreógrafo, diretor de Hairspray. O que me preocupa: Shankman é um dos diretores favoritos de Adam Sandler. Eis uma conexão que me dá arrepios.

Mas ouço agora que Sherak está pondo pressão no diretor do departamento de atores, Tom Hanks, para que ele sue a camisa do smoking ano que vem, no papel de apresentador...

Por Ana Maria Bahiana às 17h37


Procura-se: produtor para o Oscar

 

A esta altura do ano, em 2008, já tínhamos produtor para o Oscar – Bill Condon, que fez um excelente trabalho, quebrando a espiral descendente de audiência e mostrando ao mundo o charme de Hugh Jackman como mestre de cerimônias. E agora? Condon já disse que não poderá, e os assessores de Jackman já mandaram dizer que “não estão encorajando” um “sim” por parte do astro australiano. “Não queremos que ele fique marcado como um show man, ele é um ator acima de tudo”, disse um dos consiglieri.

A posição da Academia, segundo o diretor executivo Bruce Davis, é que este ano “pode ser qualquer pessoa”. “Qualquer pessoa” em termos – este é um posto que exige qualificações muito específicas. Há uma listinha de candidatos, alguns vitalícios – todo ano a Academia pede a Steven Spielberg para produzir, todo ano ele diz que está muito ocupado. Por outra lado, há o eterno regra três Bill Cates, veterano de 14 Oscars, sempre um recurso à mão.

Outros nomes cogitados: Steve Roth, grande amigo do atual presidente, Tom Sherak, que produziu os Oscars 2005 com Quincy Jones; Laura Ziskin, também amiga de Sherak, responsável pelo evento em 2002 e 2007; Kathleen Kennedy, lugar-tenente de Spielberg; Craig Zadan e Neil Meron, a dupla responsável por Chicago; e Dan Jinks e Bruce Cohen (Beleza Americana, Milk).

Como o produtor é que prepara a lista de apresentadores – para aprovação conjunta, depois, pelo presidente da Academia e a rede ABC – a sensibilidade do/da escolhido/da vai determinar o clima da festa… Muitos nomes andam pipocando por aqui, de Tina Fey a Neil Patrick Harris, passando Alec Baldwin, Justin Timberlake ou a volta de Ellen DeGeneres, Whoopi Goldberg, Chris Rock e Jon Stewart.

E vocês, quem escolheriam?

 

 

 

Por Ana Maria Bahiana às 16h48


Sobre a autora

Ana Maria Bahiana é jornalista e escritora, com uma carreira que cobre três décadas de reportagem e comentário de cultura no Brasil e no exterior, em imprensa, rádio, televisão e internet. Leia mais

Sobre o blog

Cinema, origem e espelho do que acontece na cultura do mundo. Comentário, notícias, críticas e todas as conexões que o cinema propõe - música, moda, estilo de vida.

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