Para Zemeckis, o futuro do cinema é digital

Os mosqueteiros 3D: Starkey, Zemeckis, Rapke
Converso com Robert Zemeckis e seus produtores de fé, Jack Rapke e Steve Starkey, responsáveis pelo filme no qual a Disney está apostando a maior parte de sua fichas para salvá-la de um ano tão ruim que decapitou sua chefia: Os Fantasmas de Scrooge, adaptação performance-capture de Um Conto de Natal, de Charles Dickens (estréia mundial dia 6 de novembro). Um dos primeiros convertidos ao credo da captação e manipulação digital das imagens Zemeckis é, hoje, um apóstolo entusiasmado: “O futuro do cinema é digital. Disso eu não tenho a menor dúvida.” Zemeckis se volta para o outro lado da sala, onde um grupo de fotógrafos capta imagens do astro de Scrooge, Jim Carrey: “Ei, pessoal, quantos de vocês estão trabalhando com filme?” “Ninguém”, vem a resposta, em uníssono. Zemeckis sorri: “Preciso dizer mais algo?”
Depois de trabalhar com a técnica de performance capture em Expresso Polar e Beowulf, Zemeckis se diz “completamente apaixonado” pelo formato. “De Expresso Polar a Scrooge a tecnologia melhorou mil por cento. Hoje temos a textura de pele, a captação dos músculos e da expressão dos atores num nível quase ideal. Ainda há muito o que fazer, mas estou cada vez mais seguro que este é o caminho que mais me empolga. Ela me dá a liberdade e o controle completos que é um sonho para todo realizador: posso imaginar o que quiser, fazer e refazer tomadas quantas vezes quiser, trabalhar com os atores o tempo que quiser sem ser importunado por custos, tempo, equipes gigantescas, cenários, locações.”

Jim Carrey como Scrooge: "A tecnologia melhorou mil por cento"
Isso não quer dizer que Zemeckis considere performance capture a única forma de expressão possível: “O cinema seria muito chato, assim. Há histórias que só devem ser contadas em preto e branco. Histórias que só devem ser filmadas naturalisticamente, em cenários reais. Cada história é uma sensibilidade diferente.” Zemeckis troca figurinhas constantemente com outro evangelista da performance capture/3D, seu amigo James Cameron. “Estamos seguindo caminhos diferentes na mesma direção, que é empurrar o cinema para sua nova fronteira tecnológica”, diz Zemeckis, acrescentando que a Academia “inevitavelmente vai ter que criar uma nova categoria para os filmes que nós estamos fazendo – e que com certeza outras pessoas farão, cada vez mais.” (Zemeckis acaba de doar um estúdio completo de performance capture para sua alma mater, a escola de cinema da University of Southern California).
Zemeckis, Rapke e Starkey acabam de criar, em parceira com a Disney, um estúdio dedicado exclusivamente à produção de títulos utiizando performance capture, para lançamento em 3D e 2D. “Estamos sempre focados em três coisas: a história, o custo e o espetáculo.”, diz Rapke. “O custo, com esta tecnologia, é infinitamente mais fácil de ser controlado. O espetáculo é o que vai tirar as pessoas de casa, de frente de suas telas domésticas. Mas a base de tudo é e sempre vai ser a história.” A próxima produção da ImageMovers é uma refeitura de Yellow Submarine, o desenhor animado hiper cult dos Beatles. Com os Beatles, Bob? “Estamos contando com isso.” Todos eles? “Todos”, ele ri.
Por Ana Maria Bahiana às 19h15

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