UOL Entretenimento

07/11/2009

Para Chris Weitz, depois da Lua Nova, a volta às raízes latinas

 

    

 

Não esperem por mais uma adaptação da trilogia Fronteiras do Universo – e certamente não uma dirigida por Chris Weitz. “Bússola de Ouro foi realizada com fontes internacionais de financiamento que acabaram com a crise”, diz Weitz. “O que é uma pena no sentido de que adoro o material, mas não repetiria a experiência com a New Line, que mutilou meu filme por medo de controvérsia. E , no geral, me tratou com grande desrespeito.”

No futuro imediato, para Weitz – que assumiu a direção de Lua Nova semanas antes do início das filmagens – é um retorno às raízes: The Gardener, um pequeno filme independente (com a mesma Summit que produz a saga Crepúsculo) sobre um jardineiro mexicano vivendo em Los Angeles. Weitz é neto de Lupita Tovar, estrela dos primórdios do cinema mexicano, e lamenta muito “jamais ter explorado” suas raízes mexicanas. “Vou compensar agora, com uma equipe e um elenco predominantemente hispânicos”, ele diz, animado. “E estou aprendendo espanhol, finalmente!”

 

Por Ana Maria Bahiana às 21h10


06/11/2009

Lua Nova: o indiscreto charme dos rapazes sem camisa

    

Ontem à noite, lua minguante: primeira exibição de imprensa de Lua Nova, segundo capítulo da saga Crepúsculo. Só para a Hollywood Foreign Press Association, no cineminha particular da ICM, uma das três grandes agências de talento daqui. Orquídeas no lobby, sala lotada, seguranças circulando para ver se ninguém estava pirateando a preciosidade. Sem risco – a platéia estava era rindo cada vez que Rob Pattinson ou Taylor Lautner tiram a camisa por qualquer pretexto.

Chris Weitz fez um belo trabalho, e teve a ajuda de um orçamento mais generoso: os efeitos especiais estão mais para efeitos que para defeitos, a direção é firme e bem pensada. Ainda acho a maquiagem dos vampiros mais para palhaço que para criatura sobrenatural, especialmente no momento “glitter”.  Mas meu principal problema  com a Lua não pode ser colocado nos ombros de Weitz: é a sensação de que se trata de uma metáfora pobre para a mesma mensagem que as mulheres vem recebendo ao longo de séculos de literatura “juvenil” – aturem seus homens, não importa o quão violentos, descontrolados, emocionalmente cruéis eles possam ser; vocês são passivas, não tem controle sobre suas vidas, resignem-se, isso é o "amor".

Este é um dos (muitos) problemas do texto, para mim, e as imagens frequentemente belas que Weitz conjura em seu filme apenas ampliam essa mensagem que não cabe mais na alvorada da segunda década do século 21.

 

Por Ana Maria Bahiana às 17h33


03/11/2009

Martin e Baldwin, dupla dinâmica no Oscar 2010

Pode ser divertido, irônico ou um desastre: a Academia acaba de escolher Steve Martin e Alec Baldwin para apresentar o Oscar 2010. Martin tem experiência, já apresentou duas vezes, mas Baldwin, em ascensão por conta de 30 Rock, é um estreante - e, como ele lembrou "não toco nem banjo." Steve é eximio no banjo e em outros instrumentos e, este ano, Hugh Jackman desempenhou no canto-e-dança. Talvez por isso a coisa seja em dobro, este ano (além das indicações a melhor filme, ai,ai...): o charme sarcástico de Baldwin apoiado na experiência de Martin. Vamos ver.

Por Ana Maria Bahiana às 22h05


Mariah Carey: cinema, feiura, Michael Jackson

 

Mariah (com Gabourey) em Precious...

... e em julho, despedindo-se de MJ: "cantei com o coração."

Converso com Mariah Carey, a propósito do filme que pode reinventar sua quase falecida carreira de atriz : Precious, o vencedor de  Sundance que tem deixado uma trilha de elogios por onde tem passado e estréia em circuito limitado, aqui nos EUA, nesta sexta feira. Elogios merecidos, adianto. Inclusive os para Mariah, quase irreconhecível numa anti-maquiagem (“foi um make-under em vez de um makeover”, ela diz, rindo), com direito a buço e péssima iluminação (“luz fluorescente, bem no alto da cabeça, a pior que existe”, ela completa). Ela é Mrs. Weiss, a assistente social que primeiro reconhece na adolescente Precious, do título (a estreate Gabourey Sidibe) algo além de um caso irremediável de pobreza e abuso. E embora esteja muito pouco na tela, sua presença já está gerando aquele zum zum que, em outros anos, levou atrizes às indicações – com menos tempo ainda. “Aprendi minha lição”, diz Mariah, comentando os tempos absurdos de Glitter. “Naquele momento eu não tinha o apoio necessário para fazer um bom filme. Não se faz uma coisa dessas sozinha. É preciso uma boa equipe, um grande diretor. Felizmente tenho isso, agora.”

Rapidamente, contudo, o assunto muda para o atual vitorioso das telas- ironicamente (porque ele não está mais aqui…) Michael Jackson. Mariah admite ter “chorado muito” ao ver This Is It “Com certeza Michael não gostaria que víssemos o processo dele. Mas, na sua ausência, é um conforto termos alguma coisa de seu talento.” Mas chorou muito mais ao abrir a cerimônia fúnebre para seu amigo, em julho. “Eu não sabia que seria uma cerimônia de corpo presente. Nem que eu seria a primeira a se apresentar. Quando a família me convidou, imaginei que seria um espetáculo em sua homenagem, e não que ele estaria lá. Eu jamais diria não à familia- somos amigos de longa data. Mas foi horrivelmente dificil para mim. Eu estava chorando, e quando choro minha garganta fecha. Cantei com meu coração, não com minha garganta."

 

Por Ana Maria Bahiana às 20h06


Sobre a autora

Ana Maria Bahiana é jornalista e escritora, com uma carreira que cobre três décadas de reportagem e comentário de cultura no Brasil e no exterior, em imprensa, rádio, televisão e internet. Leia mais

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Cinema, origem e espelho do que acontece na cultura do mundo. Comentário, notícias, críticas e todas as conexões que o cinema propõe - música, moda, estilo de vida.

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