O dia depois de ontem

.. e eu ainda não abri metade dos pacotes...
Por Ana Maria Bahiana às 17h37

.. e eu ainda não abri metade dos pacotes...
Por Ana Maria Bahiana às 17h37
Os sinais podem ter vindo de longe, lá dos idos tempos de Sundance e Cannes, mas a verdade é que a campanha (ou seria melhor dizer guerra?) pelos prêmios começa agora. O feriadão do Dia de Ação de Graças começa hoje à noite e vai até segunda. Na próxima quinta nós, os 90 votantes do Globo de Ouro, recebemos nossas cédulas para escolher os indicados. Antes disso, terça feira, a Academia terá encerrado a submissão de créditos para os filmes qualificados – hora de decidir de uma vez por todas quem fez o que e em qual categoria, o que parece simples mas frequentemente dá brigas épicas. Dezembro verá o anúncio dos nossos indicados no dia 15 e, duas semanas depois, os Acadêmicos estarão recebendo as cédulas deles.
Ou seja, a largada mesmo, o primeiro grande impulso de atrair a atenção para este ou aquele filme, diretor, atriz ou ator é agora, quando todos nós temos quatro dias de folga enquanto o país para em torno de peru com batata doce.

A coisa começou cedo: as 7h 45 da manhã já havia um mensageiro na minha porta com uma caixa repleta de dvds e mimos que ainda não tive tempo de investigar: nas três horas seguintes recebi oito emails com convites para cabines, dois para festas do tipo “encontro com o diretor” e chegaram mais quatro mensageiros com envelopes e caixas. Não sou nada especial, não se iludam : sou apenas um voto num pool pequeno o bastante para, sim, fazer o trabalho prévio de peneirar quem vale a pena, para a Academia. Na calma de nossas casas, nesse feriadão, podemos decidir a vida de muita gente boa.

É um pensamento um pouco assustador. Eu, pessoalmente, costumo mante-lo bem longe de mim enquanto vejo os filmes e series concorrentes. Meus três mandamentos pessoais são simples: procuro votar de modo isento, passional e radical.
Isento: num canto ficam mimos, festas e entrevistas, simpatias, antipatias, beijos, patadas, grosserias e adulações; no outro, o filme ou série.
Passional: tenho que me sentir pessoalmente envolvida, atraída, comovida, tocada pelo filme. O meramente competente e muito bem feito é o padrão numa disputa dessas. Quero o que vai além.
Radical: voto propositalmente naquilo que sei que tem menos chances de ser escolhido pelos meus colegas. Suspeito que já fiz diferença, várias vezes, com essa estratégia. Somos poucos , um voto num sistema de maioria simples pode emplacar um filme maravilhoso mas “esquisito”, “difícil” ou “violento”.
Além dessas três regras vem, é claro, o prazer. Mas isso já é parte da minha vida – sem prazer, nada vale a pena, certo?
Não posso dizer que todo votante trabalha assim. Não tenho a menor idéia do que meus colegas fazem diante de seus filmes e dvds. Por acaso sei que um colega só vê filmes acompanhados de um balde de pipoca, e uma amiga faz tricô para manter a concentração. Mais não adianto: cada cabeça uma sentença. Este ano o que posso dizer é que o pool de indicáveis é menor do que os divulgadores e os blogochutadores pensam. Um bocado de pré-seleção já foi feito. Adianto tambem que deverá ser um ano para novos e jovens talentos brilharem – incllusive e principalmente crianças -, um ano muito bom para a animação e carente de espetaculares papéis femininos em filmes à altura.

Agora com licença que o intercom apitou de novo….
Por Ana Maria Bahiana às 20h12
O que vocês acham de, de tempos em tempos, eu postar uma foto atualizando a tralha cinematográfica que recebo nesta época do ano? Diverte ou é muito sofrimento?

Por Ana Maria Bahiana às 00h12
Ana Maria Bahiana é jornalista e escritora, com uma carreira que cobre três décadas de reportagem e comentário de cultura no Brasil e no exterior, em imprensa, rádio, televisão e internet. Leia mais
Cinema, origem e espelho do que acontece na cultura do mundo. Comentário, notícias, críticas e todas as conexões que o cinema propõe - música, moda, estilo de vida.