UOL Entretenimento

12/02/2010

Preparativos para o Oscar: chocolate, champanhe, correios

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Os tradicionais Oscars de chocolate do Governors' Ball, versão 2010

 

Vocês se lembram da confusão do Oscar de Heath Ledger, que a familia não queria devolver para que o nome do vencedor fosse devidamente gravado? Crises como essa não vão mais acontecer no Oscar. A partir deste ano todo oscarizado levará para casa uma estatueta já com seu nome afixado. Para proporcionar esta felicidade extra,  197 placas com os nomes de todos os indicados estão sendo fabricadas. Na noite do Oscars, os vencedores terão suas estatuetas personalizadas num lounge especial adajcente ao salão de festas do teatro Kodak, cenário do Governors’ Ball. E assim poderão passear pela festa com um Oscar seu- só- seu.

Solução simples e elegante que, francamente, já devia ter sido implantada há mais tempo. Além de evitar constrangimentos e deixar todo mundo feliz, o novo esquema ainda garante a presença dos vencedores no Governors Ball, uma festa tradicional, caretona, que muita gente ignora a caminho de baladas mais divertidas como as da Vanity Fair ou de Elton John (ou, como diz a Vanity Fair deste mes, “passar no In n Out para um hamburguer e ir para casa dormir”).

Quem ficar no Governors’ Ball vai curtir um clima “ inspirado nos anos 1930, com foco na elegância tradicional”, segundo a decoradora Chery Ceccheto e um cardápio de Wolfgang Puck que inclui fatias de salmão defumado em forma de Oscar, um “prato especial, versão moderna de algo muito tradicional”, salada de legumes picados, muita champanhe e, é claro, os costumeiros Oscars de chocolate cobertos em pó de ouro.

 

O visual "anos 30" do Governors Ball 2010(ao fundo, os uniformes da equipe de sala)...

 

..pronto para uma degustação de salmão defumado...

 

.

... em forma de Oscar.

Quem vai ao Governors Ball? Vencedores, indicados, apresentadores, a diretoria da Academia e todos os que produziram e participaram da entrega dos prêmios. E para começar tudo isso, os envelopes com as cédulas finais seguiram agora de tarde para os 5 777 votantes. Prazo de entrega: 2 de março.

 

E lá vão eles...

 

 

Por Ana Maria Bahiana às 00h01


08/02/2010

A Ilha do Medo de Scorsese é uma loucura

 

    

Look back in anger: Leo na Ilha do Medo

 

No meio de toda a agitação pré-Oscars (e no auge da temporada-lixo que vai de janeiro a maio, onde os estúdios descarregam quase tudo que não conseguiram lançar no ano anterior) começam a aparecer os primeiros filmes interessantes de 2010. Quietamente, a Paramount passou a última semana exibindo Shutter Island/ Ilha do Medo em sessões especiais em LA e NY.  Agora, vendo o filme afinal, até entendo o por que da decisão de move-lo de 2009 para 2010: a sombra imensa de Avatar não daria espaço para muita coisa, ainda mais uma sombria homenagem ao cinema da paranoia dos anos 1950 como este inusitado filme de Scorsese.

Um pouco de pano de fundo: a  primeira encarnação de Shutter Island, uma adaptação do livro homônimo de Dennis Lehane sobre os mistérios de um hospital psiquiátrico em meados do século passado, deveria ter sido dirigida por David Fincher e estrelada por Brad Pitt e Mark Wahlberg. Quando os três foram cuidar de outros projetos, o roteiro (de Laeta Kalogridis, que também assina The Dive, o possível novo projeto de James Cameron) foi enviado a Martin Scorsese. A Paramount não esperava que ele dissesse sim – Marty parece interessado em obras mais amplas, quase épicas. Mas ele sentiu uma “identificação imediata” com o protagonista, Teddy Daniels, um agente federal investigando o misterioso desaparecimento de uma paciente no sombrio asilo/penitenciária do título. (Depois que vocês virem o filme ou lerem o livro certamente ficarão intrigados com essa empatia…)

Com seu atual muso Leonardo di Caprio no papel de Teddy (que seria de Brad Pitt ) e Mark Ruffalo no de Chuck, parceiro de Teddy ( que seria de Wahlberg), Scorsese passou quatro meses em 2008 filmando Shutter Island, a maior parte num hospital psiquiátrico abandonado em Medfield, Massachsetts.

O resultado é um filme sobre o qual quanto menos eu falar, melhor. O que posso dizer: como ele mesmo diz, o projeto  “começou como entretenimento e acabei transformando em outra coisa, como sempre.” O entretenimento seria o thriller em si, o famoso jogo de gato e rato que esperamos num policial - quem fez o que, e como, e por que. A “outra coisa” é um estudo sobre o clima emocional dos anos 1950, a era da paranóia, do medo institucionalizado, dos avanços da psiquiatria e da farmacologia psiquiátrica convergindo com as batalhas ocultas da guerra fria. Scorsese enquadra tudo isso no universo restrito de uma ilha ao largo de Boston, amplificando o sentimento de claustrofobia com um espetacular uso da montagem (Thelma Schoonmaker, de novo), fotografia (o grande Robert Richardson), direção de arte (outro gigante, Dante Ferreti ) e música ( Robbie Robertson fazendo a curadoria de uma série de peças de eruditos do século passado – Cage, Ligerti e sobretudo Penderecki, cuja "Passacaglia" é a inesquecível assinatura musical do filme.)

Um “labirinto da mente”, como Scorsese diz, esta Ilha resolve um dos grandes desafios do cinema, a visualização do processo da loucura, com uma estética que é um terço Shock Corridor, dois terços Hitchcock anos 1940-50 e, no final, puro Scorsese.

Shutter Island /Ilha do Medo estreia dia 18 aqui nos EUA e 5 de março no Brasil.

 

 

Por Ana Maria Bahiana às 19h18


Sobre a autora

Ana Maria Bahiana é jornalista e escritora, com uma carreira que cobre três décadas de reportagem e comentário de cultura no Brasil e no exterior, em imprensa, rádio, televisão e internet. Leia mais

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Cinema, origem e espelho do que acontece na cultura do mundo. Comentário, notícias, críticas e todas as conexões que o cinema propõe - música, moda, estilo de vida.

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