UOL Entretenimento

25/08/2010

Coppola e Godard entre os homenageados da Academia, este ano

 

O que Francis Ford Coppola, Jean Luc Godard, Eli Wallach e Kevin Bronlow tem em comum? Todos receberão um Oscar especial da Academia de  Artes e Cîencias Cinematográficas este ano. Num voto (acalorado, me contam) ontem à noite, a diretoria da Academia escolheu este ilustre quarteto para a premiação por conjunto de obra.

Coppola, signficativamente (e com justiça) está sendo premiado por seu trabalho como produtor, recebendo o  prêmio Thalberg por uma vida de criação de novas ideias e novos talentos- de George Lucas a Sofia Coppola, da Zoetrope a séries e filmes de TV, de O Corcel Negro a On The Road.

Godard é….. bem…… Godard.

Eli Wallach é um gigante entre os atores – e quase o tira o tapete debaixo de Ewan McGregor na única cena que compartilham em Ghost Writer, de Polanski.

Kevin Bronlow é um historiador e restaurador de filmes mudos. Muito antes que fosse moda, aqui, falar em restauração,Bronlow se dedicava a localizar e recuperar gemas da primeira hora do cinema.

E, na verdade, os quatro tem muito mais em comum: Godard foi uma das maiores influencias do jovem Coppola; Eli Wallach está no elenco de O Poderoso Chefão III; e Bronlow restaurou o épico Napoleão, de Abel Gance (1927) sob os auspicios de Coppola – o filme restaurado estreou em sessão especial ao ar livre nos vinhedos Niebaum-Coppola, no Vale de Napa, California.

Os Oscars honorários deste ano serão entregues na cerimônia especial da Diretoria, dia 13 de novembro, no salão de festas do Hollywood & Highland, acima do teatro Kodak.

 

Por Ana Maria Bahiana às 14h52


23/08/2010

"Só sei fazer filmes sobre seres humanos no planeta Terra"- Rob Reiner e o novo cinema independente

 

 

Reiner no set de Flipped: "só fazendo muito barato"

 

Converso com Rob Reiner, veterano de muitas batalhas, responsável por dois dos meus filmes favoritos – This is Spinal Tap (sem o qual, suspeito, Borat , Brüno  e The Office não seriam possíveis) e A Princesa Prometida. Reiner acaba de lançar um filme pequeno e  delicioso , Flipped, retorno ao universo de um de seus primeiros sucessos, Conta Comigo. Realizado por um orçamento que, aqui, paga em geral o aluguel do trailer das estrelas – 14 milhões de dólares – e rodado inteiramente em locação no Michigan, um estados mais generosos com incentivos fiscais nos EUA, Flipped é a própria definição do filme independente nos dias de hoje. Uma escolha que pode parecer bizarra para um realizador com mais de 25 anos de militância na indústria e muitos prêmios em seu curriculo – inclusive uma indicação para o Oscar em 1993 por Questão de Honra.

Reiner suspira: “Sempre disse que só sei fazer um tipo de filme – filmes com seres humanos no planeta Terra. E este tipo de filme, hoje, não é muito popular com os estúdios. Eles não querem filmes assim, filmes como Flipped. Gosto de contar histórias conduzidas pelos personagens. Histórias sobre a condição humana. E, hoje, o único modo de contar essas histórias é faze-las com muito pouco dinheiro. “

Sua análise de como as coisas chegaram a esse ponto é precisa : “A partir de Tubarão e Guerra nas Estrelas, no final dos 1970, os estúdios aprenderam que é possível ganhar muito dinheiro num espaço muito curto de tempo. Nasceu a mentalidade do blockbuster. Tudo bem, nada contra, eu mesmo tive alguns desses. As coisas se tornaram críticas quando todosos filmes passaram a ser vistos como blockbusters em potencial, com a obrigação de se pagarem e começarem a render no fim de semana de estréia. Não! Nem isso! No DIA da estréia. Se não se pagou até a noite de sábado, adeus.”

Flipped ainda não se pagou – na verdade, não chegou nem a um milhão de dólares em receita,em suas restritas 45 telas. “Em outros tempos eu diria que este seria um filme destinado ao sucesso, porque é um filme que toda a família pode ver junto, que diverte crianças e adultos. Mas isso exige um tipo de distribuição e divulgação que não se faz mais.”

A solução? “TV. E o circuito independente. Novas opções tem que aparecer.”

 

 

Por Ana Maria Bahiana às 15h52


Sobre a autora

Ana Maria Bahiana é jornalista e escritora, com uma carreira que cobre três décadas de reportagem e comentário de cultura no Brasil e no exterior, em imprensa, rádio, televisão e internet. Leia mais

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Cinema, origem e espelho do que acontece na cultura do mundo. Comentário, notícias, críticas e todas as conexões que o cinema propõe - música, moda, estilo de vida.

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