UOL Entretenimento

02/09/2010

Começa amanhã o maior pequeno festival do mundo

 

     

O poster e o "Palais" de Telluride: se Cannes morresse e fosse pro céu...

 

O que Des hommes et des dieux, Never let me go, Biutiful, Another year, os documentários A letter to Elia (de Scorsese) e Tabloid  (de Errol Morris) e o longa the animação The Illusionist tem em comum? Todos fazem parte do seletíssimo programa do maior pequeno festival do mundo, o Festival de Cinema de Telluride que começa amanhã na linda cidade das Montanhas Rochosas. São apenas quatro dias, somente  24 filmes (mais  retrospectivas, homenagens, curtas e exibições-surpresa que só são anunciadas durante o festival- Black Swan e 127 Horas devem estar entre elas) e nenhum prêmio. Mas, a cada ano, Telluride se afirma como o segredo mais poderoso do cinema internacional.

Para vocês terem uma ideia, eis uma pequena lista de títulos que, em idos verões americanos, foram selecionados para Telluride: Blue Velvet, Central do Brasil, Quem quer ser um milionário, Brokeback Mountain, Cidade de Deus, Juno, Lost in Translation, Capote, O tigre e o dragão, Up in the air.  Perceberam?

Não há segredo para o poder de Telluride , nenhum conchavo, acordo de gaveta ou manobra de marketing. O festival, sempre organizado e guiado por um grupo de  estudiosos e fãs de cinema mais um diretor especial (este ano, o escritor Michael Ondaatje; no passado, Laurie Anderson, Peter Sellers e Salman Rushdie  passaram pelo posto) simplesmente escolhe os filmes que ama. E os filmes que ama em geral são muito, muito bons. É a pré-seleção da pré-seleção, a peneira mais fina dos títulos que tem peso unicamente por sua qualidade e originalidade. “É como se Cannes tivesse morrido e ido para o céu”, disse certa vez o crítico A.O.Scott do LA Times, habituê de Telluride.

Este ano, além desses que mencionei no primeiro parágrafo, fiquem de olho num filme que está passando ao largo do radar de todo mundo – o drama de guerra The Way Back, de Peter Weir, um diretor que, que eu saiba, nunca conseguiu fazer um filme ruim na vida.

 

Por Ana Maria Bahiana às 16h54


30/08/2010

Emmys 2010: celebrando o triunfo da TV

 

  

 

O que achei mais interessante nos Emmys, ontem – além de "Born to Run" estilo Glee e George Clooney na cama com Cameron e Mitchell de Modern Family – foram as sucessivas alfinetadas da festa  na sua irmã mais velha, a industria do cinema. A melhor de todas veio em off enquanto Mick Jackson se erguia, radiante de felicidade, para aceitar seu Emmy de diretor/telepic por Temple Grandin e a narração enumerava alguns títulos de seu vasto currículo _  Volcano! The Bodyguard! – só para concluir “mas onde ele poderia fazer a história de uma mulher com autismo em sua jornada para descobrir o mundo?”  Todo mundo no Nokia Theater sabia a resposta, reforçada muitas vezes ao longo da noite: hoje, só na TV. (Teria sido mais justo para com Jackson lembrar que ele também dirigira o lírico LA Story e a série Traffic, da TV britânica, que deu origem ao filme de Soderbergh. Mas aí seria menos dramático..)

deOs muitos e merecidos “obrigados” à HBO estabeleceram para o público o que a indústria já sabe – que quando se trata de produção de conteúdo audiovisual de qualidade superior o canal premium é o líder , e tem o mesmo peso que, num passado não muito distante, era reservado para independentes como United Artists, Orion ou Miramax. “Não existe modelo financeiro para uma série de oito episódios sobre a Guerra do Pacífico, mas mesmo assim a série foi feita”, disse Tom Hanks aceitando o seu Emmy pela vitoriosa The Pacific.

 Se ainda havia dúvidas (e ainda há?)  de que a TV, hoje, é a alternativa concreta para um tipo de produção que o cinema está ao ponto de desaprender como fazer: narrativas fortes com personagens bem delineados, histórias humanas (mesmo quando são sobre-humanas. Dever de casa: quais as principais diferenças entre Crepúsculo e True Blood?), ousadia de temas (metanfetamina! Eutanásia! Autismo! Direitos civis plenos para todas as opções sexuais!), os Emmys deste ano foram a resposta final.

 É uma reversão completa do estado de coisas e da visão que a industria do cinema tinha da TV – ela era a prima pobre, a coitada, boa apenas para talentos medíocres, produções apressadas e ideias rasteiras e eternamente recicladas. Agora…. Não sei não, mas parece que nesta última frase eu descrevi 90% do que vi saindo dos grandes estúdios nos últimos 14 meses…

 

Por Ana Maria Bahiana às 17h13


Sobre a autora

Ana Maria Bahiana é jornalista e escritora, com uma carreira que cobre três décadas de reportagem e comentário de cultura no Brasil e no exterior, em imprensa, rádio, televisão e internet. Leia mais

Sobre o blog

Cinema, origem e espelho do que acontece na cultura do mundo. Comentário, notícias, críticas e todas as conexões que o cinema propõe - música, moda, estilo de vida.

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