UOL Entretenimento

10/09/2010

Na Academia, os tesouros da Warner

 

 

 

Tesouros: Humphrey Bogart e Ingrid Bergman conferenciam com o diretor de fotografia Arthur Edeson no set de Casablanca; James Dean e o diretor Nicholas Ray no set de Rebelde Sem Causa; Cary Grant e Priscilla Lane caminham entre os estúdios do backlot da Warner, a caminho do set de Este Mundo é um Hospício, de Frank Capra

 

 

James Dean e Heath Ledger. Joan Crawford e a turma de Harry Potter. Audrey Hepburn, Marilyn Monroe, Humphrey Bogart, Brad Pitt e Denzel Washington. Casablanca, Matrix, Um Bonde Chamado Desejo, Laranja Mecânica, O Exorcista, Batman Begins. E muito, muito James Dean, diante e atrás da lente – estes são alguns dos personagens que o público poderá ver (de graça!) no salão principal da Academia, a partir de quinta feira, dia 16, todos integrantes da exposição Up From the Vault: 85 Years of Treasures from the Warner Bros. Photo Lab.

São 165 fotos em cópias novíssimas, cobrindo 85 anos e documentação da produção nos históricos estúdios da Warner em Burbank – fotos de divulgação, stills, material de pesquisa, referência e produção. Como bônus, a primeira exibição das fotos tiradas por James Dean durante as filamgens de seus últimos trabalhos – Dean estava determinado a lançar uma seguda carreira como fotógrafo.

Não me lembro de uma mostra tão extensa de material que, normalmente, permanece sigilosamente guardado nos arquivos dos estúdios. E isso no lobby da Academia, porque no quarto andar Bergman impera…

Por Ana Maria Bahiana às 16h31


09/09/2010

O destino de Tree of Life, de Terrence Malick, e os queridos de Telluride

 

Brad Pitt em Tree of Life: peregrinação árdua

 

Depois de uma peregrinação árdua, The Tree of Life, de Terrence Malick, acaba de achar um distribuidor: a Fox Searchlight  adquiriu o título depois de complicadas negociações, e planeja um lançamento para 2011. A história de Tree of Life é exemplar do estado de coisas no cinema independente, hoje:  o projeto foi financiado em sua maior parte por Bill Pohlad, um bilionário norte-americano com paixão por cinema, através de sua produtora, a River Road. A ideia era  garantir para a distribuidora de Pohlad, Apparition, um carro-chefe para a temporada ouro de 2010, mas Malick, historicamente conhecido por demorar muito mais do que o previsto para realizar seus filmes, furou consecuitivas datas de entrega

Enquanto Malick retocava sua obra, várias coisas aconteceram: a recessão aprofundou-se, o mercado de distribuição tornou-se ainda mais estrangulado e competitivo e, num surto financeiro-existencial,  o sócio de Pohlad na Apparition, Bob Berney – pessoa respeitadíssima no meio – chutou o balde e abandonou a empresa na véspera de Cannes.

Seguiram-se meses de lenta agonia para a Apparition –que lançou, entre outros, Bright Star e The Runaways. Funcionários foram demitidos em levas sucessivas enquanto Pohlad mostrava cópias brutas de Tree of Life a vários possíveis interessados, demonstrando claramente que não tinha mais fôlego para bancar a finalização e o lançamento do filme de Malick. A última rodada foi justamente em Telluride – enquanto mais uma leva de demissões reduzia os escritórios de Nova York e Los Angeles a 15  funcionários. As negociações nas montanhas do Colorado renderam, e agora a Fox Searchlight tem em suas mãos o filme sobre a complicada relação entre pai e filho (Brad Pitt e Sean Penn, respectivamente) ao longo de várias décadas no Texas do século passado. “É um filme profundamente comovente, observado com exatidão e realizado de modo magistral”, disseram os presidentes da Searchlight anunciando a aquisição.

E por que então não lançam este ano? Em primeiro lugar, porque a Searchlight já tem muitos tiros ao alvo na temporada ouro: Black Swan, 127 Hours, Never Let Me Go. E em segundo lugar porque ainda não está pronto…

E quem repercutiu bacana em Telluride 2010? Principalmente o inglês The King’s Speech, de Tom Hooper,com Colin Firth, Helena Bonham Carter e Geoffrey Rush, 127 Hours (que levou alguns ilustres espectadores a passar mal), o documentário Tabloid, de Errol Morris. E um azarão: o franco-canadense Incendies. O novo Peter Weir, The Way Back, foi bem recebido, mas não chegou a empolgar. Com os outros, olho vivo.

 

 

 

Por Ana Maria Bahiana às 20h22


07/09/2010

Godard, Bergman e a Academia – uma história de amor

 

  

 

Bergman e seus dentes de tubarão (no set de A Hora do Lobo); e o "quarto mosqueteiro" Godard- tudo bem com a Academia

As notícias da ausência de Jean Luc Godard nos Oscars (ou melhor, na cerimônia pré-Oscars para os premios especiais) foram um pouco apressadas. Segundo um email oficial da Academia distribuido hoje, o presidente Tom Sherak recebeu um bilhete “muito amável, escrito a mão” pelo cineasta, agradecendo a Academia por ser “o quarto mosqueteiro” (Coppola, Wallach e o restaurador Brownlow são os outros três…) e dizendo que, se sua agenda permitir, estará presente à festa dos prêmios especiais, dia 13 de novembro.

Em outras notícias do momento europeu da Academia, começa no próximo dia 16 um evento da categoria imperdível: Ingmar Bergman: Truth and Lies. Uma realização da Deutsche Kinemathek – Museum für Film und Fernsehen de Berlim, em parceria com a Fundação Bergman e a AMPAS, o evento inclui uma exposição de fotos, cadernos, esboços, roteiros anotados, maquetes e peças de figurino de seus filmes  na sede da Academia e uma retrospectiva de seus filmes no Los Angeles County Museum of Art, começando dia 10 com Gritos e Sussurros e terminando dia 18 com Fanny e Alexandre.

Ingmar Bergman:Truth and Lies está estreando mundialmente aqui em Los Angeles, e a exposição – gratuita- fica aberta ao público até dia 12 de dezembro.

 

Por Ana Maria Bahiana às 21h03


06/09/2010

Piranhas contra na'vi! No feriadão, a batalha do 3D

 

Por aí está todo mundo curtindo o feriadão e, aqui, idem – é dia do trabalho nos EUA, o que significa o fim da temporada-pipoca e o último fim de semana prolongado até o Dia de Ação de Graças, em novembro, sinal de largada da temporada-ouro. E apesar de George Clooney ter demonstrado um incrível star power abrindo em primeiro lugar um filme distante, frio e, muitas vezes, monótono – The American, dirigido por Anton Corbjin (mais sobre isso em breve) – o assunto que ocupa muita gente no feriadão é o apimentado bate boca público entre James Cameron e Mark Canton, ex-presidente da Sony , e,hoje produtor. Tema da discussão: 3D.

Cameron começou a briga numa entrevista para o site da Vanity Fair, a propósito do relançamento de Avatar, semana passada. Lá vai das tantas ele dá uma cutucada na febre de 3Ds que acometeu o mercado nos últimos meses e aponta aquele que, na sua opinião, é o pior exemplo do mau uso do 3D: Piranha 3D, produzido por Mark Canton. “Não costumo falar mal dos filmes alheios, mas esse é exatamente o que não deveria estar sendo feito em 3D. Porque vulgariza o formato e lembra o quanto eram horríveis aqueles filmes de terror 3D dos anos 70 e 80.”

O fato de Cameron ter dirigido Piranha II em 1981 (e, ele diz, sonhado com a ideia central de Exterminador do Futuro durante um acesso de febre em plena filmagem) é uma ironia que não escapa às plateias deste debate.

Canton, obviamente, não ficou nada contente – principalmente porque Piranha 3D não foi lá muito bem de bilheteria, embora tenha sido abraçado pela crítica como um exemplo perfeito do trash-de-luxo. Num longo email enviado a um grupo de jornalistas e pessoas chave da indústria, Canton parte para a jugular de Cameron com o apetite de seus peixes assassinos: “Jim, tamanho não importa. Nem todo mundo tem acesso a uma fonte interminável de dinheiro ou pode se dar ao luxo de passar dez anos gastando o dinheiro dos outros para fazer um filme. Além do mais, você não inventou o 3D. Você teve sorte que outros realizadores inspiraram você.”

Ai!

O mais curioso é que 1. Cameron assumidamente não viu Piranha 3D e 2. Piranha 3D foi pensado , realizado e dirigido com farta dose de ironia pelo francês Alexandre Aja exatamente para ser uma exploração do subgênero terror-trash, com todos os seus usos óbvios do 3D velha escola.

Trata-se,me parece, de uma questão de bom ou mau humor.

 

Por Ana Maria Bahiana às 14h28


Sobre a autora

Ana Maria Bahiana é jornalista e escritora, com uma carreira que cobre três décadas de reportagem e comentário de cultura no Brasil e no exterior, em imprensa, rádio, televisão e internet. Leia mais

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Cinema, origem e espelho do que acontece na cultura do mundo. Comentário, notícias, críticas e todas as conexões que o cinema propõe - música, moda, estilo de vida.

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